Em dois anos de pandemia de covid-19, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) gastou perto de 2.000 milhões de euros em testes, ventiladores, vacinas e trabalho suplementar. Desses, 977 milhões de euros foi para pagar horas extraordinárias e contratações. As contas foram feitas pela SIC, com base nos dados fornecidos pela Administração Central dos Sistemas de Saúde.
Os enfermeiros foram os que mais horas extra fizeram durante a pandemia. Mas foi no trabalho suplementar dos médicos do SNS que a mais se gastou. Entre 2020 e 2021, os cofres do Estado pagaram aos clínicos mais de 354 milhões de euros em horas além do horário. O dos enfermeiros custou 171 milhões de euros.
No total dos profissionais de saúde – que inclui ainda os assistentes operacionais, técnicos de diagnóstico ou farmacêuticos – o SNS gastou 710 milhões de euros com horas extras.
A covid-19 consumiu muitos recursos humanos e as administração acabaram por ter autorização superior para contratar novos profissionais. No final de 2021, os hospitais e centros de saúde tinham mais 13 mil profissionais do que antes da pandemia.
No entanto, os novos contratados não chegaram para colmatar as falhas: só para preencher escassas de urgência, o SNS gastou perto de 267 milhões de euros com clínicos tarefeiros pagos à hora – a maioria deles recém-formados ou sem especialidade.
Em material e obras para novas unidades de cuidados intensivos, os hospitais públicos gastaram 86 milhões de euros. Em máscaras, luvas e fatos de proteção individual, os custos ascendem aos 295 milhões de euros. Nos testes gastou-se 346 milhões, nas vacinas 327 milhões e nos outros materiais de suporte à vacinação nove milhões.
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