Cultura

Livro de viagem de Gulbenkian ao Cáucaso inspira projecto de jovens fotógrafas

Um livro de Calouste Sarkis Gulbenkian escrito há cem anos durante uma viagem pelo Cáucaso inspirou duas jovens a percorrer o mesmo caminho e documentar também em livro, com fotografias, o itinerário percorrido pelo colecionador.

A ideia partiu das artistas Sandra Rocha e Pauliana Valente Pimentel, alunas dos cursos de fotografia do Programa Gulbenkian de Criação e Criatividade Artística, que sugeriram à Fundação Gulbenkian recriar o percurso.



Realizaram a mesma viagem pela Trancaucásia, dando origem a um livro com cerca de 70 fotografias que recria a memória visual desse itinerário, mais de um século depois.



Sandra Rocha explicou à agência Lusa que, no final do curso decidiram propor o projeto à Fundação Calouste Gulbenkian e "por uma coincidência feliz", o presidente da instituição tinha o sonho de reeditar o livro de juventude de Calouste Gulbenkian com as memórias da viagem.



Intitulado "La Transcaucasie et la Péninsule d'Apchéron - Souvenirs de Voyage", o livro foi lançado em simultâneo com o livro de fotografias "Caucase-Souvenirs de Voyage", das duas criadoras que pertencem ao Colectivo Kamerafoto, recriando o itinerário percorrido por Gulbenkian nessa longa viagem.



Na mesma altura, a Gulbenkian inaugura uma pequena exposição de fotografias do livro de Sandra Rocha e Paulina Valente Pimental, que ficará aberta ao público até dia 03 de abril.



A viagem das duas criadoras pelo Cáucaso decorreu durante o mês de maio de 2009.



Viajaram de avião e depois de carro e de comboio, parando nalguns lugares onde o jovem Gulbenkian esteve e visitando outros que ele apenas viu de passagem, da carruagem onde seguia, como "as maravilhosas montanhas no norte da Geórgia".



"O livro de Gulbenkian não é propriamente um roteiro de viagem, mas uma obra muito técnica, com pormenores geológicos, porque ele encontra ali petróleo pela primeira vez", observou Sandra Rocha.



As duas artistas quiseram mostrar "um olhar fotográfico do Cáucaso de hoje", com paisagens, lugares e pessoas.



"Encontrei uma cultura completamente distinta da minha, com uma mistura gigante de religiões, as fronteiras fechadas", e foi isso o mais interessante da viagem para Sandra Rocha.



Escrito com apenas 21 anos, após ter obtido a licenciatura em engenharia no King's College, o livro centenário de Gulbenkian teve um grande impacto na época porque descreveu os campos de petróleo de Baku, e as suas considerações despertaram a atenção de vários responsáveis políticos, e apesar da sua juventude, passou a ser reconhecido como uma autoridade na matéria.



Pouco depois tornou-se pioneiro do desenvolvimento petrolífero no Médio Oriente, afirmando-se ao longo da vida, escreve Rui Vilar num texto sobre a obra, "como notável financeiro, diplomata, colecionador de arte e filantropo".



Este texto foi escrito ao abrigo no novo Acordo Ortográfico

Lusa