Cultura

"Salvator Mundi" de Leonardo da Vinci vai hoje a leilão

Reuters

Uma pintura que investigadores acreditam ser das poucas de Leonardo da Vinci que sobreviveram a meio milénio desde a sua morte será leiloada hoje em Nova Iorque, esperando-se que seja vendida por mais de 100 milhões de dólares.

Amantes da arte juntaram-se aos milhares nas exposições prévias especiais em Hong Kong, São Francisco, Londres e Nova Iorque para ver o único trabalho do mestre do Renascimento numa coleção privada.

A pintura a óleo, de 500 anos, que mostra Cristo a segurar um globo de cristal, intitula-se "Salvator Mundi" ou "Salvador do Mundo", e é uma das cerca de 20 pinturas de Leonardo da Vinci que se sabe existir, de acordo com a Christie's, a casa de leilões que conduzirá a venda.

"Eu quase não consigo transmitir quão excitante é para aqueles de nós que estão diretamente envolvidos na venda", disse o especialista de Christie's, Alan Wintermute. "A palavra 'obra-prima' mal dá para transmitir a raridade, a importância e a beleza sublime da pintura de Leonardo".

Alan Wintermute apelidou-o de "o Santo Graal das pinturas de antigas mestres".

Um licitador do leilão garantiu uma oferta de pelo menos 100 milhões de dólares (85 milhões de euros), mas alguns especialistas afirmaram que a obra poderá até valer mais, não fosse pelo seu mau estado de preservação e algumas dúvidas persistentes quanto à sua autenticidade.

O périplo do "Salvador do Mundo" desde 1500

A pintura de 66 centímetros data de cerca de 1500 e mostra Cristo envergando vestes de estilo renascentista, com a mão direita levantada em bênção e a mão esquerda em baixo segurando uma esfera de cristal.

"Salvator Mundi" pertencia ao rei Carlos I da Inglaterra em meados de 1600 e foi leiloado pelo filho do duque de Buckingham em 1763.

Depois disso, o quadro desapareceu completamente até 1900, altura em que ressurgiu, tendo sido adquirido por um colecionador britânico.

Na época, pensou tratar-se de uma obra de um discípulo de Leonardo, e não do próprio mestre.

A pintura foi vendida novamente em 1958 e foi depois adquirida em 2005, seriamente danificada e parcialmente pintada por um consórcio de comerciantes de arte que pagou menos de 10 mil dólares.

Estes comerciantes restauraram amplamente a pintura e documentaram a sua autenticidade como sendo uma obra de Leonardo da Vinci.

O atual proprietário do quadro é o multimilionário russo Dmitry Rybolovlev, que o adquiriu em 2013 por 127,5 milhões de dólares, numa venda privada que se tornou objeto de uma contínua contenda jurídica.

A Christie's afirma que a maioria dos investigadores acredita que se trata de um trabalho de Leonardo, embora alguns questionem essa determinação, enquanto outros consideram que a peça foi tão extensamente restaurada que se parece mais com uma cópia do que com um original.

Longas filas e horas de espera para ver um Da Vinci em Nova Iorque

Longas filas e horas de espera para ver um Da Vinci em Nova Iorque

Julie Jacobson / AP

Em Nova Iorque, onde nenhum museu possui um Leonardo, os amantes da arte fizeram filas ao longo dos quarteirões do Centro Rockefeller, onde fica a Christie's, na terça-feira, para ver o "Salvator Mundi".

Svetla Nikolova, da Bulgária, mas residente em Nova York, classificou a pintura como "espetacular".

"É uma experiência única na vida", afirmou. "Isto deve ser visto. É maravilhoso em Nova Iorque. Tenho tanta sorte por estar aqui neste momento".

Una Dora Copley, artista, afirmou que "Salvator Mundi" valia a mais de uma hora de espera. "Não vou pensar na fila", disse Copley, "vou pensar nesta bela pintura".

O leilão começa às 19:00 horas (meia-noite em Portugal).

Lusa