Os textos, que estavam integrados num lote de documentos históricos pertencentes ao fundo de investimentos Aristophil, deixam, assim, de poder ir ao leilão que estava previsto para hoje.
O Ministério francês da Cultura "propôs uma negociação de comum acordo para a aquisição dessas obras ao preço do mercado internacional", disse Claude Aguttes, na segunda-feira.
Esta decisão poderá significar a retirada de venda do rolo do manuscrito assinado por Sade, estimado entre quatro e seis milhões de euros e escrito durante a sua prisão na Bastilha, e do conjunto de manuscritos de André Breton, que inclui os dois Manifestos do Surrealismo, estimados em cerca de quatro milhões de euros.
A retirada desses lotes de Sade e de Breton (cinco no total) deverá ser autorizada pelo administrador da liquidação da Aristophil. A casa de leilões Aguttes poderá então entrar em negociações com o Estado.
A Aguttes foi mandatada pelo Tribunal de Grande Instância de Paris para organizar a venda das 130 mil peças apreendidas do fundo de investimento Aristophil, uma empresa suspeita de ter enganado os seus investidores com o negócio da compra de famosos manuscritos.
O leilão de hoje é o primeiro de 300 previstos em seis anos para dispersar o fundo Aristophil.
Dezoito mil investidores, a quem a Aristophil propôs investir em manuscritos de prestígio, esperam que este seja um começo de compensação, enquanto os processos criminais e civis decorrem.
Hoje deverá também ser leiloado um dos únicos manuscritos de Honoré de Balzac ainda em mãos privadas, "Ursule Mirouët" (1841), estimado entre 800 mil e 1,2 milhões de euros.
Outras peças incluídas no lote são a "História de Alexandre o Grande", de Quinto Cúrcio Rufo, ou a história manuscrita de Helen Churchill Candee, sobrevivente do Titanic e uma das fontes de inspiração de James Cameron.
O manuscrito dos "120 Dias de Sodoma", de Marquês de Sade
Thibault Camus / AP