Cultura

"Tive sorte. Estava tudo certo, a luz, a velocidade, o foco"

Rui Caria

Rui Caria

Rui Caria

Repórter de imagem/ Fotojornalista

Quando me virei para trás para perceber de onde vinham as vozes de aflição, vi este cenário e fotografei, quase instintivamente, da porta da igreja matriz da Praia da Vitória, na Ilha Terceira.

Tinham-se perdido alguns balões que adornavam a entrada da noiva na igreja. Do "drama" à gargalhada demorou pouco, porque são estes os momentos que também perduram nas memórias daquele que é invariavelmente um dos dias mais felizes do casal.

Não vi logo a foto depois de a tirar, como costumo fazer quando acho que tenho uma fotografia decente, porque além de gostar do efeito "revelação", que acontece quando fotografo em filme, tive medo que a fotografia estivesse desfocada ou tremida, por ter usado uma câmara de foco manual para guardar aquele momento tão efémero, e isso influenciasse a minha concentração durante o trabalho na cerimónia do casamento.

Depois do arroz, no pátio da igreja, percorri as imagens na câmara e deparei-me com a fotografia. "Tive sorte", pensei. Estava tudo certo, a luz, a velocidade, o foco, e o mais importante; o momento irrepetível da cena, tal e qual me lembrava dela. As expressões, os olhares de surpresa e resignação pela largada dos balões, a posição dos elementos e das pessoas no quadro, pareciam ter sido colocados por um pincel, mais do que por qualquer acaso.

A fotografia deste pedaço do dia da Natália e do João, apesar de ter conseguido o primeiro lugar, do Sony World Photography Awards - National Awards, nunca foi pensada para qualquer concurso; nem sei bem porque a coloquei nesta corrida com mais de 326.000 imagens.

O que sei é que o reconhecimento do nosso trabalho, a este nível, é sempre uma grande alegria e um fator de motivação nesta caminhada de ver para viver.

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