Há poucos dias dias, quando se assinalou o 20º aniversário da morte de Stanley Kubrick (a 7 de Março de 1999, contava 70 anos), não pudemos deixar de lembrar o seu derradeiro filme, o genial “De Olhos Bem Fechados” (1999), e a excelência do seu elenco. Que é como quem diz: os nomes de Tom Cruise e Nicole Kidman eram um trunfo decisivo de promoção, a par, claro, da aura mítica do próprio Kubrick.
Vale a perguntar se ainda há estrelas de cinema dessa dimensão. Não se trata, entenda-se, de discutir as “melhores” ou “piores” qualidades de cada actor ou actriz. Trata-se, isso sim, de perguntar se nomes da natureza dos citados ainda possuem o mesmo apelo cinéfilo de outros tempos (a começar, ironicamente ou não, pelos casos concretos de Cruise e Kidman).
Importa avançar com a resposta mais prudente: cada caso é um caso. Qualquer generalização corre o risco de simplificar a pluralidade dos filmes, desde a sua produção até às respectivas formas de consumo (das salas escuras às plataformas de “streaming”).
Observe-se apenas um exemplo: o de “Capitão Marvel”. E nem sequer estou a falar do facto de muitas notícias tratarem a sua performance comercial, à beira dos 800 milhões de dólares de receitas, omitindo os seus custos (cerca de 170 milhões) e também o facto de, neste tipo de filmes, os gastos a promoção global serem quase
sempre da mesma ordem do orçamento de produção. De facto, a economia dos filmes é cheia de nuances. Veja-se o caso do vencedor dos Óscares, “Green Book”: até agora rendeu “apenas” 275 milhões... mas custou 23!
No caso da promoção de “Capitão Marvel”, o elenco possui um valor secundário e, em particular, a sua intérprete principal, Brie Larson. É bem certo que, no meio da confusão dos efeitos especiais, ela pouco tem para fazer... Seja como for, estamos a falar de uma das mais talentosas actrizes de Hollywood, “oscarizada” em 2016 pela sua admirável composição no filme “Quarto”, de Lenny Abrahamson.
Há, assim, sectores imensos da actual produção cinematográfica, a começar pelos super-heróis da Marvel, cuja imagem promocional já não passa pelos actores, quer dizer, pelo factor humano. Tal imagem envolve ligações com um sector particular da banda desenhada e uma celebração mais ou menos infantil dos chamados efeitos especiais... É pouco para conhecermos e compreendermos a diversidade dos filmes que temos à nossa disposição.