Cultura

Porque é que os polacos estão a publicar fotos com bananas?

Um protesto contra aquilo que os internautas polacos chamam de censura.

Artistas e políticos da oposição da Polónia recorreram às redes sociais para divulgar imagens deles próprios a comer bananas, depois do Museu Nacional em Varsóvia ter retirado uma peça de arte que continha a fruta, considerando-a obscena.

Em causa está o vídeo de 1973, "Consumer Art", da artista Natalia LL, que mostra uma jovem a comer uma banana com grande satisfação. A peça foi retirada do Museu Nacional da capital polaca na passada semana, depois do novo diretor do museu ser chamado ao Ministério da Cultura.

A artista Natalia LL em frente à sua obra de arte, "Consumer Art".

A artista Natalia LL em frente à sua obra de arte, "Consumer Art".

Agencja Gazeta

Numa entrevista citada pelo The Washington Post, Jerzy Miziolek disse que "era contra mostrar trabalhos que podiam irritar jovens mais vulneráveis". O vídeo estava em exposição na galeria há vários anos.

Um outro vídeo de 2005, da artista Katarzyna Kozyra, que mostra uma mulher a passear dois homens vestidos de cão, também foi removido.

O diretor do museu disse esta segunda-feira que os dois vídeos seriam repostos, mas só até 6 de maio, data em que a galeria será reorganizada.

Jerzy Miziolek, que foi apontado como diretor do museu pelo Governo de Direita em novembro do ano passado, defendeu que, apesar de apreciar o papel das duas artistas polacas na cultura nacional, o espaço limitado da galeria precisava de "mudanças criativas" na exposição.

Nas redes sociais, surgiram imagens de pessoas com bananas, num protesto contra aquilo que os internautas polacos chamaram de censura.

Instagram
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Desde que o Governo de Direita subiu ao poder, no ano passado, na Polónia, já foram várias as disputas sobre arte e cultura.

Recentemente, o ministro da Cultura, Piotr Glinski, anunciou o corte nos fundos ao Centro de Solidariedade Europeu, um museu e biblioteca popular entre os críticos do Governo. O ministro argumentou que a atividade do centro ultrapassou a sua missão de ensinar história.

Antes disso, Piotr Glinski já tinha despedido um popular diretor de teatro que o tinha criticado, assim como o diretor do museu da II Guerra Mundial, defendendo que a exposição não mostrava suficientemente o sofrimento ou heroísmo da Polónia.