Cultura

Os Óscares antes dos Óscares

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Faltam cerca de três meses para a cerimónia dos Óscares. Entretanto, a Academia de Hollywood já atribuíu os seus prémios honorários, os chamados “Governor Awards”.

É bem provável que muitos espectadores reconheçam este actor que exibe o seu Óscar [foto], embora sem o conseguirem situar de forma precisa. Em boa verdade, ele nunca foi uma estrela, o que não o tem impedido de seguir uma trajectória artística de peculiar simbolismo cultural e político.

Nascido em 1947, no Oklahoma, Wes Studi é um actor americano de raízes Cherokee que se tem distinguido, em particular, pelas suas personagens de índios. Na sua filmografia encontramos títulos tão populares como “Danças com Lobos” (1990) e “O Último dos Moicanos” (1992), ou ainda o mais recente e notável “Hostis” (2018), um brilhante “western” protagonizado por Christian Bale que, infelizmente, passou praticamente despercebido entre nós.

Wes Studi foi um dos homenageados com um Óscar honorário na cerimónia dos chamados "Governor Awards", os prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood que, por assim dizer, abrem oficialmente a temporada que terá a sua conclusão com a entrega dos Óscares competitivos.

Ao atribuir os seus prémios honorários, a Academia procura distinguir personalidades cuja carreira envolva contribuições especiais, do domínio técnico às actividades humanitárias. Não há nenhuma regra que impeça a atribuição de um desses prémios a quem já tenha ganho uma estatueta dourada, mas é um facto que, por vezes, os eleitos são figuras algo “esquecidas” nas cerimónias dos Óscares propriamente ditos.

Terá sido, este ano, o caso de David Lynch. Já nomeado quatro vezes, uma na categoria de argumento adaptado, três como realizador (a última, em 2002, com “Mulholland Dr.”), Lynch é um dos grandes experimentadores do cinema moderno que continuava a não ter qualquer reconhecimento simbólico da Academia.

Foi ainda atribuído um terceiro Óscar honorário à italiana Lina Wertmüller, pelos serviços prestados à Academia e também por ser protagonista de uma proeza com evidentes ressonâncias simbólicas: com o seu filme “Pascoalino da Sete Beldades” (1975), foi a primeira mulher a obter uma nomeação para o Óscar de melhor realização (tendo sido nomeada, pelo mesmo filme, na categoria de melhor argumento original).

O palmarés dos “Governor Awards" ficou completo com o Prémio Humanitário Jean Hersholt para Geena Davis. É uma das distinções mais prestigiantes da Academia, destinada a personalidades com “notáveis contribuições para causas humanitárias”. Detentora de um Óscar de melhor actriz secundária (“O Turista Acidental”, 1988), Davis foi distinguida pelas suas inúmeras contribuições para a igualdade de géneros no interior da indústria de espectáculos e media.

Entretanto, já está definido o calendário para os prémios da Academia que irão celebrar as produções de 2019: as nomeações serão conhecidas a 13 de janeiro de 2020; menos de um mês mais tarde, a 9 de fevereiro, terá lugar a 92ª segunda cerimónia dos Óscares.