Cultura

Editora cancela publicação da autobiografia de Woody Allen após acusações de violação

Brendan McDermid

Cineasta é acusado de ter abusado em 1992 da sua filha adotiva.

A editora norte-americana Hachette cancelou esta sexta-feira a publicação das memórias do famoso realizador de cinema Woody Allen, acusado de abusar sexualmente da filha adotiva Dylan Farrow aos sete anos.

O livro, que deveria trazer detalhes sobre a vida profissional e pessoal do cineasta de 84 anos, autor de dezenas de longas-metragens, incluindo "Manhattan" e "Annie Hall", seria publicado a 7 de abril nos Estados Unidos.

"A decisão de cancelar o livro de Allen foi difícil. Nós levamos muito a sério as nossas relações com os autores e não cancelamos livros de ânimo leve. Nós publicámos e vamos continuar a publicar muitos livros difícieis. Como editores, garantimos que todos os dias no nosso trablaho se possam ouvir diferentes vozes e pontos de vista conflituosos", disse Sophie Cottrell, porta-voz da Hachette, à AFP.

O anúncio ocorreu depois de vários funcionários da editora se terem manifestado contra a publicação, deixando os escritórios em Nova Iorque para denunciar a situação.

"Nos últimos dias, a gerência da HBG (Hachette Book Group) teve longas discussões com funcionários e outras pessoas. Depois de ouvir, chegamos à conclusão de que manter a publicação não era viável", esclareceu a porta-voz.

Não se sabe ainda se o lançamento de autobiografia "A propósito de nada" vai ser cancelada noutros países. Após o anúncio da Hachette, o livro ainda aparecia na loja online da Amazon rotulado como "best seller", sugerindo que o site recebeu um grande volume de pré-encomendas.

Woody Allen nega todas as acusações de abuso sexual e alega que a filha quer aproveitar-se do mediatismo do caso.