Cultura

Museu de Hollywood mantém data de inauguração

O projecto do Museu de Hollywood foi concebido pelo arquitecto Renzo Piano

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Mesmo na dramática conjuntura de pandemia, o Museu da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood está pronto a funcionar. E os responsáveis mantêm a data anunciada para a sua inauguração: 14 de dezembro

O Museu da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood é um projecto relativamente antigo e, sobretudo, atribulado. Concebido pelo arquitecto italiano Renzo Piano (responsável, por exemplo, pelo Centro Pompidou, em Paris), foi anunciado em 2012 e a sua abertura chegou a estar prevista para 2017. Na última cerimónia dos Óscares, a 9 de fevereiro, Tom Hanks foi o mensageiro da boa notícia: o museu está, finalmente, em fase de conclusão, já abriu o seu site oficial e, sobretudo, tem uma data marcada para a sua inauguração — 14 de dezembro de 2020.

Compreende-se que um projecto orçado em 388 milhões de dólares (contas redondas, à cotação actual: 360 milhões de euros) não possa estar parado. Em todo o caso, a situação de pandemia que estamos a viver — e que, inevitavelmente, tem vindo a afectar as estruturas cinematográficas em todo o mundo — justifica que se pergunte se será razoável manter tal data.

O menos que se pode dizer é que a Academia continua a trabalhar nesse sentido, uma vez que há poucos dias (sábado, dia 4) anunciou o envolvimento de alguns nomes famosos na autoria das suas primeiras exposições. São eles: Spike Lee, Pedro Almodóvar e Hildur Guðnadóttir (a compositora islandesa que ganhou um Óscar com a banda sonora de “Joker”). Isto sem esquecer um espaço de homenagem ao mestre japonês da animação, Hayao Miyazaki. Trata-se, afinal, de valorizar ao máximo os três pisos da zona de exposições de um edifício de arrojada concepção.

A nova instituição tem como base uma construção histórica de 1939, estilo Art Deco, conservada como monumento, agora “ampliada” pelo arquitecto Piano. A sua cúpula, envolvendo nada mais nada menos que 1500 placas de vidro, já se tornou um dos novos “ex libris” de Los Angeles. Situado no Wilshire Boulevard, cerca de 6km a norte do Dolby Theatre (a sala dos Óscares desde 2002), o museu aposta no cruzamento de três componentes fundamentais: a gestão do riquíssimo património da Academia (testemunhando um século de história do cinema), a organização de exposições temáticas e, claro, a exibição de filmes.

Citado pelo “Variety”, Bill Kramer, director do museu, considera que a respectiva programação será capaz de “dar conta do complexo e fascinante mundo do cinema”, nessa medida tendo em conta “a arte, a tecnologia, os artistas, a história e o impacto social” dos filmes. É uma longa e esplendorosa saga, sem dúvida, envolvendo capítulos fundamentais da memória cinéfila, uma vez que a Academia de Hollywood foi fundada em 1927 — a primeira cerimónia dos Óscares teve lugar a 16 de maio de 1929, no Hollywood Roosevelt Hotel.