Cultura

Filmes em quarentena: “West Side Story”

"West Side Story": um clássico dom 10 Óscares, incluindo o de melhor filme de 1961

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Com data de produção de 1961, “West Side Story” é um dos títulos emblemáticos da tradição do género musical. A sua actualidade é tanto maior quanto sabemos que Steven Spielberg está a trabalhar numa nova versão, agendada para o final de 2020

Eis uma referência que evoca, de imediato, a magia cinéfila: “West Side Story”. Com ou sem nostalgia, vale a pena regressar às origens. Porquê? Porque, desta vez, o título “West Side Story” envolve uma dúvida que, neste momento, ninguém consegue esclarecer.

Expliquemo-nos: Steven Spielberg está a trabalhar na pós-produção de uma nova versão de “West Side Story”, com data de lançamento nas salas de todo o mundo há muito agendada para 18 de dezembro de 2020. Mas será possível cumprir tal data? E se tal não acontecer, teremos um filme que, por certo, aposta na grandeza tradicional do género musical a ser visto (apenas) nos nossos ecrãs caseiros?

Para já, fiquemo-nos pela questão prática, adequada aos tempos de confinamento que estamos a viver: numa plataforma de streaming é possível ver ou rever o original, produção de 1961 que, entre nós, recebeu o subtítulo “Amor sem Barreiras”. Isto porque se trata de uma história de amor inspirada no “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, agora em cenários novaiorquinos marcados pela rivalidade de dois gangs: de um lado os Jets (brancos, nascidos nos EUA), do outro os Sharks (de origem porto-riquenha).

Escusado será sublinhar que, mesmo na exuberância do musical, esta celebração de uma América de muitas diferenças possui uma energia simbólica que o tempo não apagou. E tanto mais quanto, ao contrário da regra dominante nos musicais das décadas anteriores, “West Side Story” utiliza de forma espectacular cenários verídicos de Nova Iorque. As suas qualidades valeram-lhe nada mais nada menos que 10 Óscares, incluindo o de melhor filme de 1961.

O musical da Broadway — com letras de Stephen Sondheim e música de Leonard Bernstein — foi filmado pela dupla Robert Wise/Jerome Robbins (tendo sido Robbins, justamente, o responsável pela primeira encenação, em 1957). Natalie Wood e Richard Beymer são o lendário par romântico, contracenando, entre outros, com George Chakiris, Russ Tamblyn e Rita Moreno.

A provar que estas coisas são mesmo matéria mitológica da memória, lembremos que, quase seis décadas depois, Rita Moreno é também um dos nomes a figurar no elenco de Spielberg — no original, é ela a figura central da canção “America”, um dos temas mais célebres da banda sonora de “West Side Story” [video].

TVCine

  • 21:07