Cultura

Sessão de cinema: “Apocalypse Now - Final Cut”

Martin Sheen em "Apocalypse Now": um clássico absoluto, agora disponível na sua "versão final"

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Em 2019, quarenta anos depois da sua estreia, “Apocalypse Now” foi refeito por Francis Ford Coppola na sua versão “Final Cut” — com 183 minutos de duração, chegou agora ao mercado do DVD.

Há filmes que, sendo clássicos na história do cinema, acabam por simbolizar a própria ideia de cinema como um misto de emoção, pensamento e espectáculo. Poderíamos citar exemplos tão universais como “Lawrence da Arábia” (1962), “E.T., o Extraterrestre” (1982) ou “Apocalypse Now” (1979).

Deste último, podemos também dizer que teve uma história atribulada em que, por assim dizer, foi renascendo para novas gerações de espectadores. Em 1979, Francis Ford Coppola apresentou-o pela primeira vez no Festival de Cannes (arrebatando a Palma de Ouro, “ex-aequo” com “O Tambor”, de Volker Schlöndorff) com uma duração de 153 minutos. O certo é que nunca deixou de considerar que tinham ficado de fora algumas cenas ou partes de cenas que ele considerava fundamentais, nomeadamente o segmento da chamada “plantação francesa”.

Assim, em 2001, Coppola lançou “Apocalypse Now Redux”, com 202 minutos. Mas ainda não era o capítulo final da sua “reconstrução”. De tal modo que em 2019, comemorando o 40º aniversário da sua obra-prima, Coppola apresentou, precisamente, o “Final Cut” — duração: 183 minutos.

Nenhuma das versões anteriores fica diminuída no seu valor. Mas é um facto que “Apocalypse Now - Final Cut” surge, agora, como o espelho ideal do seu criador. A odisseia do capitão Willard (Martin Sheen), atravessando o Vietname para encontrar o santuário do renegado coronel Kurtz (Marlon Brando), celebra a dimensão visceralmente trágica do próprio cinema, ao mesmo tempo relançando a perturbação inerente aos temas do Bem e do Mal.

Infelizmente, “Apocalypse Now - Final Cut” não encontrou lugar no circuito comercial português (tendo passado apenas numa sessão especial do CCB). Seja como for, está agora disponível numa edição em DVD, tanto mais sedutora quanto a nova versão montada por Coppola foi executada em 4K, devolvendo também ao filme toda a sua sofisticação técnica original.