Cultura

"Vamos beber o drink de fim de tarde". A resposta da ministra aos problemas na Cultura

A ministra da Cultura, Graça Fonseca

MIGUEL A. LOPES

Graça Fonseca não respondeu à pergunta da SIC sobre os números apresentados pela União Audiovisual. O grupo criado para responder à crise provocada pela pandemia está a ajudar "entre 150 a 160 pessoas" por semana.

A ministra da Cultura anunciou a aquisição de 65 obras de arte contemporânea para a coleção do Estado. Foram investidos 500 mil euros, num total de um milhão previsto até ao final da legislatura.

A apresentação decorreu no jardim do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Graça Fonseca disse à SIC que só falava sobre arte contemporânea e escusou-se a responder a outras questões relacionadas com o setor da cultura.

"Hoje só falo da coleção de arte contemporânea"

A União Audiovisual, grupo informal criado para apoiar os trabalhadores do setor da Cultura, está a apoiar, em todo o país, "entre 150 a 160 pessoas" por semana, adiantou à Lusa Ricardo Queluz.

"Só em Lisboa ajudamos entre 50 a 70 pessoas por semana", acrescentou o voluntário do grupo de ajuda alimentar, em declarações à Lusa, no domingo, no final do concerto do músico The Legendary Tigerman (nome artístico de Paulo Furtado), que se juntou à "causa" da União Audiovisual.

O Village Underground, em Lisboa, acolheu o concerto -- para o qual não se pagava entrada, mas se pedia contribuições alimentares, que depois vão ser distribuídas pela União Audiovisual aos mais necessitados.

Ricardo Queluz refere que é "a meio do mês" que recebem mais pedidos e assinala que, neste momento, estão "a ter um bocadinho menos de ajuda", admitindo que possa ter a ver com o período de férias, mas também com algo que já antecipavam: alguns dos que têm ajudado podem agora não estar em condições de o fazer ou até de estarem, eles próprios, a precisar de ajuda. Isto porque estamos a falar de uma área -- a da cultura, artes e espetáculos -- onde proliferam os "trabalhadores independentes", que têm trabalho num mês e no seguinte já não, mas que, como todos os outros, precisam de "trabalhar para sobreviver e pagar as contas", vinca Ricardo Queluz. "No início tivemos muita gente a ajudar, (...) muitas semanas de grande suporte das pessoas", realçou.

À saída do concerto, um músico-técnico-fotógrafo comentava a sorte que tinha tido de poder levar a família para uma quinta na zona de Aljezur. Estava de regresso a Lisboa por um dia e "para um só trabalho, 'o' trabalho". De resto, "tudo foi cancelado".

"As pessoas agora começam a ter noção de que o espetáculo não é só o artista e o artista não é só aquela pessoa que aparece na revista ou num jornal. Isto envolve muito trabalho, mais dias de trabalho do que só aquela hora/hora e meia em que o artista está no palco", destaca Ricardo Queluz.

A ideia de criar um grupo de entreajuda no Facebook surgiu em março, quando a pandemia se instalou e o setor paralisou. "Dois, três dias depois, já tinha seis mil pessoas" aderentes, recorda Ricardo Queluz, contando que chegaram a receber donativos em dinheiro, mas optaram depois por aceitar bens alimentares apenas.

A União Audiovisual criou uma estrutura para fazer as recolhas e as entregas dos cabazes alimentares. O grupo foi criado "só para este efeito" e, "quando esta crise acabar", também "irá terminar", frisou Ricardo Queluz.

Até meados de maio, a crise no setor da Cultura tinha dado origem a pelo menos dois grupos de ajuda alimentar, que começaram por Lisboa, mas criaram depois núcleos no resto do país. Para além da União Audiovisual, também o nosSOS, promovido pela companhia de teatro Palco 13, faz entregas semanais.

Quem quiser ajudar, ou precisar de ajuda, pode contactar estes grupos usando a Internet. A União Audiovisual tem um grupo no Facebook, que é fechado, mas basta pedir para aderir, e uma página na Internet.

O nosSOS também tem uma página e está no Facebook da Palco 13.

Os espaços culturais começaram a encerrar e, consequentemente, a adiar ou cancelar espetáculos, no início de março, quando a opção era ainda apenas uma recomendação do Governo, que viria a instaurar o estado de emergência apenas no dia 18.

De acordo com a Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE), desde meados de março e até ao final de abril foram cancelados, suspensos ou adiados cerca de 27 mil espetáculos.

Livrarias, bibliotecas e arquivos reabriram a 04 de maio, seguindo-se museus, palácios, galerias e monumentos. Cinemas, teatros, auditórios e salas de espetáculos voltaram a abrir portas a 01 de junho, "com lugares marcados, lotação reduzida e distanciamento físico".

De acordo com um inquérito promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, Audiovisual e Músicos (Cena-STE), divulgado no início de abril, 98% dos trabalhadores de espetáculos tiveram trabalhos cancelados, 33 por cento dos quais por mais de 30 dias. Para as 1.300 pessoas que responderam ao questionário, as perdas por trabalhos cancelados representaram dois milhões de euros, apenas para o período de março a maio.