Cultura

Sessão de Cinema: "French Cancan"

"French Cancan" (1954): o Moulin Rouge revisitado em Technicolor

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Mestre do cinema clássico francês, Jean Renoir é um autor cuja obra está, em grande parte, disponível no mercado do DVD — vale a pena revisitar “French Cancan”, um filme sobre o nascimento do Moulin Rouge, em Paris.

Filho do pintor Pierre-Auguste Renoir (1841-1919), Jean Renoir (1894-1979) é um daqueles nomes lendários que se fixou na história como símbolo artístico do próprio Cinema (com maiúscula, porque não?). Desde os tempos do mudo, depois através da idade clássica da produção francesa, Renoir legou-nos uma obra profundamente humanista, da comédia ao drama, toda ela pontuada por um tema universal: a procura da felicidade.

Vale a pena descobrir ou reencontrar um dos seus filmes que mais e melhor materializa essa ideia redentora segundo a qual, para lá das nossas diferenças e contradições, a felicidade é possível: chama-se “French Cancan”, tem data de 1954, e está disponível no mercado português numa edição em DVD de excelente qualidade técnica (inserido numa caixa que inclui mais dois títulos de Renoir: “O Crime do Sr. Lange” e “Helena e os Homens”, respectivamente de 1936 e 1956).

Não por acaso, este é um dos trabalhos de Renoir que, pelas suas cores quentes e exuberantes (em belíssimo Technicolor), muitos analistas costumam aproximar da pintura impressionista. É também o filme mais musical de Renoir, ou melhor, aquele em que os números musicais têm um peso mais importante — isto porque se trata de evocar o nascimento do Moulin Rouge, em Paris, nos anos finais do século XIX.

Através de uma intriga de muitos cruzamentos amorosos, observados com um misto de ironia e ternura, Renoir desenha um fresco de uma época em que, precisamente, com maior ou menor ilusão, a ideia de felicidade contaminava todas as relações humanas.

Como sempre na obra de Renoir, o trabalho dos actores é vital na exposição das mais contrastadas emoções, com destaque para Jean Gabin, vedeta central na produção francesa da época, no papel do empresário Henri Danglard. No elenco encontramos também duas estrelas femininas da época — a francesa Françoise Arnoul e a mexicana Maria Félix —, sem esquecer Michel Piccoli, nos primeiros tempos da sua carreira, e Édith Piaf, interpretando a canção “Sérénade du Pavé”.

DVD