Cultura

Sessão de Cinema: "O Expresso da Meia-Noite"

Brad Davis em "O Expresso da Meia-Noite": recordando a experiência verídica de Billy Hayes

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Falecido (esta sexta-feira, 31 de julho) aos 76 anos de idade, o inglês Alan Parker encontrou um lugar nas estruturas da produção americana graças ao impacto de “O Expresso da Meia-Noite” (1978) — o filme obteve dois Óscares.

O realizador inglês Alan Parker faleceu no dia 31 de Julho, contava 76 anos. O seu nome fica associado a vários títulos de grande impacto, envolvendo sempre matérias musicais, a começar pelo emblemático “Fama” (1980), mas sem esquecer “Pink Floyd: The Wall” (1982), convertendo em espectáculo cinematográfico um dos álbuns mais populares de todos os tempos, e ainda, claro, “Evita” (1996), porventura o seu trabalho mais sofisticado, reinventando o musical de Andrew Lloyd Webber, com Madonna no papel de Evita Perón.

Vale a pena, por isso, recordar o filme que lhe deu fama, projectando-o muito para lá dos domínios da produção britânica, ou seja, abrindo-lhe um lugar nas estruturas de Hollywood. Chama-se “O Expresso da Meia-Noite” (editado em DVD), surgiu em 1978 e narra a história verídica de Billy Hayes, jovem estudante americano que, ao tentar sair da Turquia com vários pacotes de haxixe, foi apanhado na fronteira, acabando por viver uma experiência dramática, marcada por muitas formas de violência, numa prisão turca.

O filme esteve envolto em polémica, em particular porque o próprio Hayes veio a público manifestar o seu desagrado por aquilo que considerava os exageros da encenação do filme. O certo é que isso não impediu que se transformasse num fenómeno de culto, em particular em torno de Brad Davis (1949-1991), o intérprete da personagem de Hayes.

“O Expresso da Meia-Noite” obteve seis nomeações para os Óscares, incluindo a de melhor filme do ano, valendo a Parker a sua primeira candidatura na categoria de realização (repetiria o feito em 1989, com “Mississipi em Chamas”). Acabou por ganhar duas estatuetas douradas: uma para Oliver Stone, na categoria de argumento adaptado, outra para Giorgio Moroder, autor da banda sonora. Nos Globos de Ouro, teve uma performance ainda mais importante, arrebatando seis distinções, incluindo, na categoria de drama, a de melhor filme.

DVD