Cultura

Sessão de Cinema: “Sala de Pânico”

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Eis um notável exemplo do trabalho de David Fincher como realizador: “Sala de Pânico” é um “thriller” sofisticado que foi também o primeiro grande papel de Kristen Stewart (contracenando com Jodie Foster)

Pergunta de algibeira: quando se tornou uma estrela juvenil com a série de fantasia “Twilight/Crepúsculo” (cujo primeiro título surgiu em 2008), será que Kristen Stewart já tinha algum trabalho significativo no mundo do cinema? Pois bem, a resposta não só é afirmativa, como nos remete para um filme de absoluta maestria: foi em 2002 que ela surgiu, contracenando com Jodie Foster, sob a direcção de David Fincher, no majestoso “Sala de Pânico” (disponível numa plataforma de streaming). Na altura da rodagem, Stewart tinha 11 anos.

Na filmografia de Fincher, “Sala de Pânico” aparece após o imenso impacto de “Clube de Combate” (1999), com Brad Pitt e Edward Norton. Como sempre controlando todos os detalhes da complexa produção do novo filme, o realizador mandou construir (por 6 milhões de dólares…) o cenário da casa onde se passa a quase totalidade de acção.

Esta é a história de uma mãe recentemente divorciada (Foster) que, com a sua filha (Stewart), procura uma nova casa em Nova Iorque. Acabam por decidir-se por uma habitação de invulgar elegância arquitectónica que contém essa “sala de pânico” a que se refere o título. Qual a sua função? Pois bem, o espaço fechado e hiper-protegido permite resistir durante algum tempo a qualquer situação ameaçadora… Até que a casa é assaltada…

“Sala de Pânico” possui a sofisticação clássica de um “thriller”, ao mesmo tempo que nos confronta com uma teia de factos e acontecimentos em que todos os laços humanos são postos à prova: a fidelidade, a traição, a ameaça da morte, o desejo de viver.

Com um elenco que inclui ainda Forest Whitaker, Jared Leto e Dwight Yoakam (exactamente: o cantor “country”) nos papéis dos assaltantes, Fincher assina um requintado exercício de cinema em que importa destacar ainda duas contribuições: Conrad W. Hall e Howard Shore, respectivamente como director de fotografia e compositor. Em resumo: estamos perante um genuíno filme de culto.

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