Cultura

No centenário de Maureen O’Hara

Maureen O'Hara em "O Homem Tranquilo" (1952), um dos títulos em que contracenou com John Wayne

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Maureen O’Hara nasceu a 17 de Agosto de 1920, tendo tido a sua época de glória em Hollywood ao longo das décadas de 40/50 — nunca ganhou um Óscar, mas foi uma verdadeira “star”.

Maureen O’Hara nunca ganhou um Óscar. Em boa verdade, nem sequer obteve qualquer nomeação, tendo recebido um prémio honorário da Academia de Hollywood cerca de um ano antes do seu falecimento, a 24 de Outubro de 2015. Em todo o caso, pode dizer-se que a sua memória constitui um capítulo à parte no interior da história do cinema clássico. Agora, no centenário do seu nascimento — a 17 de Agosto de 1920, em Dublin —, vale a pena lembrar a singularidade do seu trajecto artístico.

De “O Vale Era Verde” (1941) a “O Homem Tranquilo” (1952), a sua carreira é indissociável da obra do realizador John Ford, outra das grandes figuras de raiz irlandesa que marca de forma indelével o desenvolvimento de Hollywood ao longo dos anos 40/50. Isto sem esquecer que o seu primeiro grande papel ocorreu em “A Pousada da Jamaica” (1939), derradeiro filme britânico de Alfred Hitchcock antes de partir para os EUA.

Talvez menos lembrado, “Nossa Senhora de Paris” (1939), adaptação de “O Corcunda de Notre Dame” assinada por William Dieterle, foi um título decisivo na sua afirmação no interior do sistema de estúdios — ela própria reconhecia essa importância, recordando que Charles Laughton (intérprete de Quasimodo) fora fundamental na sua contratação para a personagem de Esmeralda [trailer].

Dando provas de uma invulgar versatilidade dramática, Maureen O’Hara surgiu, por exemplo, em “O Pirata Negro” (1942), de Henry King, épico de aventuras em que contracenava com Tyrone Power, “O Íntimo Segredo de uma Mulher” (1949), melodrama clássico de Nicholas Ray, ou ainda “A Águia Voa ao Sol” (1956), filme de guerra com John Wayne, de novo sob a direcção de Ford.

Figura sedutora para a câmara de filmar, com um “know how” enraizado na formação teatral da juventude, Maureen O’Hara nunca foi uma presença “decorativa”, distinguindo-se pela subtileza das emoções que sabia expor através da suas personagens. Como aconteceu com outras actrizes (e actores) da sua geração, a sua presença nos ecrãs foi rareando a partir da década de 70. Seja como for, se há personalidades que podem simbolizar a “idade de ouro” de Hollywood, ela é, por certo, uma das mais exemplares.

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