Cultura

Sessão de Cinema: “Depois de Maio”

"Depois de Maio": revisitando as memórias de uma geração francesa

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

O realizador francês Olivier Assayas observa a herança dos acontecimentos de Maio de 68, em França, através de um filme que é, de uma só vez, um fresco histórico e uma crónica afectiva

Nome fundamental na história do cinema francês das últimas décadas, Olivier Assayas tinha 13 anos quando a França viveu o seu agitado mês de Maio de 1968, marcado, em especial, pelas reivindicações do mundo laboral e dos estudantes universitários. Quer isto dizer que Assayas não foi um protagonista directo dos acontecimentos, antes um herdeiro de um desejo de mudança que iria influenciar de forma indelével a sua geração. Daí o misto de urgência histórica, celebração afectiva e interrogação política que atravessa o seu belíssimo filme “Depois de Maio” (2012), agora disponível numa plataforma de streaming.

Não é, entenda-se, um “filme militante”. Não o é, pelo menos, no sentido político que, para o melhor ou para o pior, a expressão adquiriu durante e após Maio de 68. Trata-se de retratar as vivências de um grupo de jovens, precisamente “depois de Maio”, no começo da década de 70. Ou como é dito no trailer: “Depois das palavras, depois das utopias, depois dos sonhos, depois das lutas…”

Daí a acuidade histórica e o valor simbólico de um filme como “Depois de Maio”. Através das suas personagens, Assayas propõe um inventário social e afectivo de temas como a reinvenção das relações amorosas, as escolhas da intervenção artística ou a crítica das formas tradicionais de fazer política. Como sempre acontece no seu cinema, o trabalho com os actores é decisivo, neste caso através de um elenco de gente jovem e muito talentosa, incluindo Clément Metayer, Lola Créton e Felix Armand.

Entretanto, depois de “Depois de Maio”, Assayas já realizou vários títulos, incluindo o drama “As Nuvens de Sils Maria” (2014), com Juliette Binoche e Kristen Stewart, e “Wasp Network - Rede de Espiões” (2019), um “thriller” sobre as relações tensas entre Cuba e os EUA na década de 1990.

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