Cultura

Sessão de Cinema: “Drácula de Bram Stoker”

Gary Oldman: o príncipe dos vampiros na espectacular versão de Francis Ford Coppola

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Francis Ford Coppola também já assinou uma versão de Drácula, com Gary Oldman no papel central: o resultado tem muito de experimental, ao mesmo tempo que faz lembrar o gosto primitivo da lanterna mágica.

Em 1992, quando realizou a sua versão do mito do príncipe dos vampiros, Francis Ford Coppola achou por bem chamar-lhe “Drácula de Bram Stoker”. E não terá sido apenas para recordar a inspiração da obra-prima da literatura gótica que Stoker publicou em 1897. Essa era também uma maneira de se demarcar da tradição do “filme de vampiros”, quer o de Hollywood, quer o da produção britânica com chancela da Hammer Films.

Na verdade, a maneira mais sugestiva de apresentar “Drácula de Bram Stoker” será reconhecendo, justamente, a sua singularidade. Mais do que isso: o seu carácter eminentemente experimental. E paradoxal. Isto porque Coppola teve a possibilidade de usar a Arriflex 535, na altura uma câmara revolucionária para película de 35 mm, ao mesmo tempo que apostava em criar no próprio estúdio, materialmente (e não digitalmente), os complexos efeitos visuais que o filme envolve.

Deparamos, assim, com a odisseia trágica do inquietante Príncipe Vlad Dracula (numa interpretação de espectacular barroquismo de Gary Oldman), tentando atrair as suas vítimas ao lendário castelo da Transilvânia. Através das imagens de Michael Ballhaus (notável director de fotografia alemão ligado à obra de Rainer Werner Fassbinder e várias vezes colaborador de Martin Scorsese), o mundo de Drácula possui qualquer coisa de circo assombrado — e tanto mais quanto Coppola não disfarça o seu empenho em lembrar o tom “naïf” de certas imagens primitivas do cinema como lanterna mágica.

Agora disponível numa plataforma de streaming, "Drácula de Bram Stoker" conta também no elenco com nomes como Keanu Reeves, Winona Ryder e Anthony Hopkins, tendo sido um dos maiores sucessos comerciais de toda a carreira de Coppola. Um dos seus emblemas promocionais foi a canção do genérico final, “Love Song for a Vampire”, na voz de Annie Lennox.

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