Cultura

Marcelo recorda Cruzeiro Seixas como o "mestre" de uma geração revolucionária

Cruzeiro Seixas com o Presidente da República a 6 de março de 2018

Jose Sena Goulao/Lusa

O Presidente da República lamentou hoje a morte do artista plástico.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou hoje a morte do "mestre" Cruzeiro Seixas, aos 99 anos, o artista plástico que pertenceu a uma geração que "revolucionou o panorama artístico e literário" português.

"Artur do Cruzeiro Seixas, que nos deixou depois de uma vida longa e livre, foi uma figura multímoda da cultura portuguesa. A sua geração, que na década de 1940 aprendeu e transpôs as lições do surrealismo francês, revolucionou o nosso panorama artístico e literário", lê-se numa nota de pesar na página da Presidência.

Cruzeiro Seixas morreu no domingo aos 99 anos no Hospital Santa Maria, Lisboa.

A informação foi revelada pela Fundação Cupertino de Miranda, de Vila Nova de Famalicão, à qual Cruzeiro Seixas tinha doado a sua coleção em 1999.

Marcelo Rebelo de Sousa considera que nas pinturas, desenhos, colagens, objetos e produção poética de Cruzeiro Seixas, "o mundo reencanta-se: é uma vez mais maravilhoso, insólito, fantástico, enigmático".

"É um vivíssimo corpo em metamorfose, com uma 'volúpia da vitalidade' que lhe confere unidade na diversidade, através das décadas e dos diferentes registos plásticos e poéticos", afirma o Presidente da República.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, "as obras de Cruzeiro Seixas, para citar versos seus, 'sabem ler nos mapas mais secretos / e de olhos vendados / o intensíssimo / amor dos relâmpagos'. É esse segredo nunca desvendado, esse amor dos relâmpagos, que devemos a Mestre Cruzeiro Seixas".

Artur do Cruzeiro Seixas, nascido na Amadora em 03 de dezembro de 1920, é um dos nomes fundamentais do Surrealismo em Portugal, era um dos últimos surrealistas, cuja obra se estende aos campos do desenho, da pintura, da poesia, da escultura e dos objetos.

Em outubro tinha sido distinguido com a Medalha de Mérito Cultural, pelo "contributo incontestável para a cultura portuguesa".

Cruzeiro Seixas, cuja obra está representada em coleções como as do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação Cupertino de Miranda, faria cem anos a 03 de dezembro.

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