Cultura

Óbito de José Atalaya. Presidente da República enaltece trabalho na divulgação da música erudita

Lc.atalaya, Public domain, via Wikimedia Commons

Maestro José Atalaya morreu na passada sexta-feira, aos 93 anos.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou esta terça-feira a morte do maestro José Atalaia, enaltecendo o seu trabalho na divulgação da música erudita em Portugal, "em registo informado e informal, à imagem de Leonard Bernstein".

O maestro José Atalaya morreu na passada sexta-feira, aos 93 anos, disse à agência Lusa fonte próxima da família.

Numa nota divulgada no portal da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa apresenta condolências à família do maestro e recorda o seu percurso.

O chefe de Estado escreve que José Atalaia "foi durante décadas um dos mais conhecidos divulgadores da música erudita em Portugal".

"Através do seu trabalho e dedicação, em registo informado e informal, à imagem de Leonard Bernstein, diversas gerações portuguesas tiveram a sua primeira, e às vezes decisiva, educação musical", acrescenta o Presidente da República.

Nesta mensagem de pesar, refere-se que José Atalaia foi "aluno de Luís de Freitas Branco" e "estreou-se como compositor em 1955, numa carreira que o levaria mais tarde à música eletrónica e eletroacústica".

"Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, viria a destacar-se como musicólogo, maestro e pedagogo, em programas da Emissora Nacional, depois RDP, e da RTP, tendo também fundado a Juventude Musical Portuguesa e dirigido o Grupo Experimental de Ópera de Câmara, a Orquestra Sinfónica do Porto e a Orquestra Clássica do Porto, sem esquecer a Academia de Música que tem o seu nome, em Fafe, entre muitas outras iniciativas, concertos e festivais", lê-se na nota.

O velório de José Atalaya realiza-se na quinta-feira, na igreja de Nossa Senhora da Boa-Hora, em Lisboa, entre as 10:00 e as 14:00, seguindo o funeral para o cemitério de Barcarena, em Oeiras, no distrito de Lisboa.

Vida e obra

Nascido em Lisboa, em 08 de dezembro de 1927, José Atalaya ingressou, em 1951, como assistente musical, na antiga Emissora Nacional, onde iniciou um percurso de divulgação que se estendeu à RTP e a diferentes palcos nacionais, através de programas como "Quinzenário Musical" e "Semanário Musical", que manteve durante mais de 15 anos e que, em 1971, em entrevista, considerou um dos seus trabalhos "mais apaixonantes".

Discípulo de compositores como Luís de Freitas Branco e Joly Braga Santos, José Atalaya defendia a necessidade de "destruir a barreira entre o público e o artista" e de "informalizar os concertos" de música erudita, sugerindo, em plena ditadura e depois dela, que deviam ser assistidos "em mangas de camisa", numa inspiração próxima nos célebres "Concertos para Jovens", do maestro e compositor norte-americano Leonard Bernstein.

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