Cultura

Cartoonistas Plantu e Willem vão "pousar as canetas"

MOHAMMED BADRA

Os dois jornais franceses onde trabalhavam prestaram homenagem aos artistas.

O cartoonista francês Plantu assinou esta quarta-feira o último cartoon de primeira página para o jornal francês Le Monde, que o homenageou através de um suplemento de oito páginas, enquanto o Libération fez uma edição especial para homenagear o cartoonista holandês Willem.

Coincidentemente, os dois cartoonistas anunciaram em simultâneo, nas respetivas publicações, que iriam "pousar as canetas".

O último desenho de capa assinado por Plantu para o Le Monde mostra o Presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, com as mãos na cabeça e sem saber o que fazer poucas horas antes de anunciar medidas mais restritivas para mitigar a propagação contra o SARS-CoV-2.

Macron acabou por anunciar, ao final da tarde desta quarta-feira, que França vai regressar ao confinamento e que as escolas vão encerrar, pelo menos, durante três semanas.

O desenho de Plantu é acompanhado pelos ratinhos que já eram habituais nos cartoons que fazia, acenando com um lenço em sinal de despedida, e com pombas -- um dos animais favoritos do artista --, uma das quais com um ponto de interrogação na ponta do bico -- uma referência ao primeiro desenho que publicou no jornal, em 1972.

O diário refez a trajetória de quase meio século do cartoonista através de um suplemento de oito páginas, com uma entrevista ao artista e uma seleção dos desenhos mais marcantes que fez, década a década, e nos quais é também possível ver as alterações ao estilo.

Por seu turno, o Libération dedicou a edição desta quarta-feira a Willem, que também se vai reformar depois de 40 anos no jornal. Na publicação é possível encontrar também uma entrevista e desenhos do artista.

Willem caricaturou-se na capa do jornal, onde é possível vê-lo de costas, com um copo na mão, diante de um lençol branco rodeado de personagens que gostava de ridicularizar.

Na última página, um anúncio: o Libération vai começar a contar com os cartoons de Coco, "a primeira mulher a ter este papel num diário nacional", sobrevivente do ataque terrorista à publicação satírica Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, por causa de uma caricatura feita sobre o profeta Maomé.