Cultura

Portugal é país convidado da Feira do Livro de Leipzig em 2022

Canva

A edição presencial da Feira do Livro de Leipzig foi cancelada devido à pandemia, mas o evento será realizado online.

Portugal vai manter uma programação especial este ano na versão digital da Feira do Livro de Leipzig, depois de ter sido anunciado o cancelamento do certame, que tinha Portugal como país convidado. O convite estende-se para 2022.

O anúncio foi feito esta quinta-feira pelo Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, que especificou que a Feira do Livro de Leipzig deste ano vai decorrer totalmente 'online', entre os dias 27 e 30 de maio.

A edição deste ano do certame literário alemão estava prevista decorrer presencialmente naquelas mesmas datas -- depois de a edição de 2020 já ter sido cancelada pelos mesmos motivos -- e tinha Portugal como País Convidado de Honra, sob o signo de Maria Gabriela Llansol.

No dia 29 de janeiro deste ano, foi anunciado o cancelamento da feira e ficou a saber-se que, apesar disso, as instituições portuguesas e alemãs envolvidas continuavam a colaborar no sentido de avançar com a publicação de mais de 50 obras de autores de língua portuguesa, traduzidos para alemão.

De acordo com o comunicado hoje divulgado, além de se manter uma programação especial para Portugal na versão 'online', o país vai voltar a ser o convidado de honra no próximo ano.

"Depois do adiamento para 2022 da presença como País Convidado na Feira do Livro de Leipzig, Portugal prepara agora a participação no festival literário digital que, em substituição da edição deste ano da Feira, cancelada por força da pandemia, irá decorrer no próximo mês de maio, em Leipzig, aproveitando para promover vários dos cerca de 50 novos livros de autores de língua portuguesa que serão editados ao longo do ano na Alemanha", lê-se na nota divulgada pelo Instituto Camões.

A presença de Portugal em Leipzig em 2022, como convidado, continuará a ocorrer sob o lema "Encontros Inesperados", e constituirá uma "oportunidade ímpar para dar sequência à presença crescente de obras de autores de língua portuguesa no mercado alemão e ao conhecimento, por este público, da cultura literária em língua portuguesa", acrescenta.

"Estamos muito contentes com a decisão de Portugal de manter a sua participação como País Convidado em 2022", afirmou o diretor da Feira do Livro de Leipzig, Oliver Zille.

Para o responsável pelo evento, "estes são tempos extremamente difíceis para dar visibilidade à literatura", mas, com o adiamento, surge agora esta "oportunidade conjunta de oferecer um interessante primeiro olhar sobre a diversidade da literatura em língua portuguesa, e, em 2022, oferecer aos autores e autoras, e às suas obras, um amplo palco".

Nesse "primeiro olhar" que o Festival Literário Leipzig Liest Extra proporciona, serão apresentadas algumas das obras apoiadas pelo programa especial para editoras em língua alemã criado pelo Camões e pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB).

Deste programa resultou a edição de obras de autores tão diversos como Afonso Reis Cabral, Patrícia Portela, Ondjaki, José Luís Peixoto, Margarida Vale de Gato, Gonçalo M. Tavares, Isabela Figueiredo, Dulce Maria Cardoso e os vencedores do Prémio Camões Mia Couto e Germano Almeida.

"Este ano vamos concentrar-nos nestes novos livros através de várias iniciativas, e esperamos poder acolher pessoalmente alguns dos autores e autoras em Leipzig no próximo ano", disse a comissária para a participação de Portugal como País Convidado na Feira de Leipzig, Patrícia Severino.

O programa completo do evento Leipzig Liest Extra será anunciado a 5 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa.

Apesar da pandemia que atravessa o mundo, a cidade alemã de Leipzig chegou a preparar a edição da feira do livro deste ano.

Em novembro do ano passado, já era possível encontrar em destaque nas livrarias obras de José Saramago e de António Lobo Antunes, com a promessa da chegada de outros autores portugueses nos meses seguintes.

Traduzir e fazer chegar mais títulos de autores de língua portuguesa a este e a outros espaços de leitura, na Alemanha, era um dos principais objetivos da participação de Portugal como país convidado na Feira Internacional do Livro de Leipzig, em 2021, mas não estava a ser fácil.

Em causa estavam as medidas de contingência impostas para travar a covid-19, e a incerteza quanto à forma e ao ritmo a que a pandemia iria evoluir.

Certo é que a edição de 2020 daquela que é a segunda maior feira do livro do país e uma das mais importantes da Europa já tinha sido cancelada por esse motivo, e a de 2021, inicialmente prevista para decorrer entre 18 e 21 de março, teve de ser adiada para final de maio, com o objetivo de aumentar as possibilidades de uma feira presencial, tendo acabado por ser cancelada.

Com uma tradição de mais de 500 anos, a Feira do Livro de Leipzig escrevia uma nova página na sua história, com a necessidade de "desenhar toda uma feira sob condições impostas pela pandemia", disse na altura o seu diretor, Oliver Zille, antevendo já que a pandemia de covid-19 iria, "inevitavelmente, afetar a estrutura da próxima Feira do Livro de Leipzig".

O que é facto é que não só afetou a sua estrutura, como afetou a sua realização, tendo obrigado, pela segunda vez (e segundo ano consecutivo) ao seu cancelamento.