Cultura

Sessão de Cinema: “Os Monstros”

Ugo Tognazzi e Vittorio Gassman: dois "monstros" de talento

Na tradição da comédia italiana, Dino Risi é uma referência fundamental; nesta produção de 1963, ele dirige dois símbolos exemplares dessa tradição: Ugo Tognazzi e Vittorio Gassman.

Nos últimos anos, primeiro nas salas escuras, agora também nas plataformas de streaming, temos assistido a um interessante “renascimento” comercial do cinema italiano. E não apenas através de produções recentes, entre documentário e ficção. Filmes mais ou menos “antigos”, muitos deles com estatuto de clássicos, passaram a estar também disponíveis.

Um dos cineastas que tem sido possível reencontrar, sendo, por certo, para alguns espectadores, uma verdadeira revelação, é Dino Risi (1916-2008). Sem ter o estatuto de um Fellini ou Antonioni, Risi não deixou de ser alguém capaz de se exprimir nos mais diversos registos, quase sempre com invulgar agilidade narrativa e sentido crítico — em suma, um verdadeiro artesão.

A filmografia de Risi é especialmente rica no domínio da comédia, sendo “Os Monstros” (1963) um dos seus títulos mais emblemáticos [em baixo, um extracto divulgado pelo Museo Nazionale del Cinema]. Não se trata de uma única história, mas sim de uma colecção de histórias, cada uma delas uma curta-metragem sobre um comportamento social mais ou menos “monstruoso”.

Do retrato de um pai mais ou menos megalómano até à saga de um falso pobre a pedir esmola, Risi aplica o seu humor a situações insólitas e desconcertantes. Para lá da concisão do seu olhar, o riso é reforçado pelas performances de actores como Ugo Tognazzi e Vittorio Gassman, dois “monstros” de talento e capacidade de transfiguração.

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