Cultura

Regressando às salas de cinema

Opinião

"Nomadland": um dos grandes favoritos para os Óscares de 25 de abril

Com a reabertura das salas escuras no dia 19 de abril abre-se um novo ciclo cultural e comercial — importa repensar as relações entre os circuitos tradicionais e as plataformas de streaming.

É grande a expectativa que envolve a reabertura das salas de cinema no dia 19 de abril. E escusado será sublinhar a importância do facto para um sector profissional que, a par de muitos outros, tem sido dramaticamente atingido pela conjuntura pandémica em que vivemos há mais de um ano.

Quer queiramos, quer não, o futuro próximo (e não só…) do cinema vai jogar-se através de um ziguezague que é anterior à pandemia. A saber: a coexistência do circuito tradicional das salas e das plataformas de streaming.

Lembremos apenas o óbvio: será sempre simplista e redutor qualquer tentativa de descrever o estado das coisas como uma dicotomia que obriga a escolher uma forma de difusão “contra” a outra… Em boa verdade, creio que se abre uma oportunidade para — culturalmente e comercialmente — pensar novas formas de relação entre as entidades que asseguram a amostragem dos filmes aos espectadores. Na certeza de que pode sempre haver estratégias pedagógicas para lidar com as expectativas desses espectadores, começando por não os conceber como um “rebanho” homogéneo e seguidista.

As ofertas para a reabertura são, no mínimo, variadas. Vamos ter um ciclo dedicado a Joseph Losey, incluindo essa obra-prima de 1976 que é “Mr. Klein - Um Homem na Sombra” [trailer], a par, por exemplo, da exibição da obra monumental do crítico irlandês Mark Cousins, “As Mulheres Fazem Cinema!”. E vamos ter também, convém não esquecer, vários títulos que estão na corrida dos Óscares (a atribuir no dia 25 de abril), incluindo “Nomadland”, “Uma Miúda com Potencial” ou “O Pai”…

Antes da pandemia, já todos sabíamos que, na era do “tudo” digital, os mercados cinematográficos estavam a enfrentar dúvidas radicais, ainda que oferecendo muitas potencialidades criativas. Escusado será dizer que a urgência de atender a tudo isso foi dramaticamente multiplicada pela pandemia. Mais do que nunca, não é possível pensar um mercado de exibição apenas à espera do próximo “blockbuster” de Hollywood… Mesmo quando alguns são genuinamente espectaculares.

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