Cultura

Sessão de Cinema: “Hitchcock”

Opinião

Alfred Hitchcock interpretado, em tom simpático, por Anthony Hopkins

Entre as personagens históricas que Anthony Hopkins já interpretou, inclui-se a figura tão especial do “mestre do suspense”, evocada durante a rodagem do clássico “Psico”.

Não, não é um filme de Hitchcock, mas um filme que se intitula “Hitchcock”. E é sobre… Alfred Hitchcock. Disponível numa plataforma de streaming, a sua revisitação justifica-se, em particular, pela regresso à actualidade do nome de Anthony Hopkins (vencedor de um Óscar com o filme “O Pai”) — dando mostras da sua invulgar capacidade de transfiguração, Hopkins é o intérprete do “mestre do suspense” num contexto muito particular da sua carreira.

Realizado pelo inglês Sacha Gervasi, este não é, de facto, um retrato sobre a “vida e obra” de Hitchcock, antes uma memória do período de preparação e rodagem de um dos seus títulos mais lendários, e também mais revolucionários no plano das linguagens narrativas do cinema: “Psico” (1960).

O filme não é, nem pretende ser, uma tese crítica sobre “Psico”, antes uma crónica de bastidores em que se destacam duas personagens femininas: Alma Reville, a mulher de Hitchcock, e Janet Leigh, uma das figuras emblemáticas do elenco de “Psico” — são interpretadas, respectivamente, por Helen Mirren e Scarlett Johansson.

Obviamente não por acaso, a célebre e perturbante “cena do chuveiro” é evocada. De qualquer modo, mesmo através de uma encenação mais ou menos académica, o filme de Gervasi possui o mérito de expor uma conjuntura particularmente complexa, envolvendo tanto as resistências dos estúdios à concretização de “Psico” como as atribulações de uma rodagem pontuada por muitos problemas técnicos e humanos. Sem esquecer que o facto de Hitchcock se ter assumido como produtor foi decisivo para a concretização do projecto.

Para a história, vale a pena recordar também que “Psico”, um clássico entre clássicos, esteve presente na corrida aos Óscares referentes a 1960, com quatro nomeações, uma para Hitchcock (realização), outra para Leigh (actriz secundária) e mais duas categorias técnicas (fotografia e cenografia a preto e branco). Não ganhou em nenhuma delas… Ninguém é perfeito.

HBO