Cultura

Sessão de Cinema: “Cada um o seu Cinema”

Opinião

"Cada um o seu Cinema": uma imagem do episódio de Zhang Yimou

Eis um filme com uma estrutura invulgar: nada mais nada menos que 33 breves episódios em que outros tantos autores encenam histórias sobre o amor do cinema.

Já está disponível numa plataforma de streaming um filme que ficou como um belo objecto de celebração do cinema, não apenas como arte, mas também como comunidade: chama-se “Cada um o seu Cinema” e apresenta a particularidade de ser uma produção encomendada pelo Festival de Cannes.

Foi em 2007. Para assinalar a sua 60ª edição, o certame da Côte d’Azur convidou 33 cineastas de todo o mundo a realizarem uma série de pequenos filmes (cada um com cerca de 3 minutos de duração) que reflectissem a sua visão do próprio fenómeno cinematográfico. Ou seja: o que é, como pode ser, a experiência de um filme numa sala escura?

Os resultados são, naturalmente, muito diversificados. E também fascinantes. Por exemplo: David Cronenberg encena uma parábola (que ele próprio protagoniza) sobre aquilo que seria o “fim do cinema”; Manoel de Oliveira opta pela farsa e propõe o registo de um encontro entre Nikita Krustchev e o Papa João XXIII (interpretados, respectivamente, por Michel Piccoli e João Bénard da Costa); David Lynch monta um pequeno delírio surreal no cenário de uma sala assombrada; Zhang Yimou revisita as memórias de infância em torno de uma sessão de cinema ambulante numa aldeia da China…

“Cada um o seu Cinema” consegue, assim, celebrar a criação cinematográfica como uma imensa paisagem em que os espectadores vêem e, mais do que isso, assistem à reinvenção das luzes e sombras do mundo em que vivem. Para a história, a projecção do filme em Cannes foi um momento especial de convívio, cruzando geografias e culturas, sensibilidades e narrativas.

Filmin

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