Cultura

Sessão de Cinema: “Quase Famosos”

Kate Hudson e Patrick Fugit: memórias dos bastidores do mundo do rock

Antes de ser cineasta, ainda adolescente, Cameron Crowe, foi jornalista da área musical — em “Quase Famosos” evoca a sua experiência e a descoberta do mundo do rock’n’roll.

Nascido em 1957, em Palm Springs, Califórnia, Cameron Crowe tem na sua filmografia alguns grandes sucessos, mais ou menos ligados à tradição melodramática de Hollywood, com destaque para os dois títulos em que dirigiu Tom Cruise: “Jerry Maguire” (1996) e “Vanilla Sky” (2001). E não é por acaso que todo o seu trabalho confere especial atenção às matérias musicais e, em particular, aos temas do rock’n’roll. De facto, ainda em plena adolescência, ele começou a escrever como jornalista e crítico de música da revista “Rolling Stone”.

Ao realizar “Quase Famosos” (2000), Crowe apostou em revisitar as suas memórias, encenando a odisseia do jovem William Miller, interpretado por Patrick Fugit, personagem que é uma clara projecção autobiográfica. William é um candidato a jornalista da área musical que consegue um espectacular “furo” jornalístico: seguir os Stillwater, uma banda (fictícia) que lhe vai abrir os bastidores do rock, por assim dizer, baptizando a sua entrada na idade adulta.

Recheado de excelente música, o filme é, acima de tudo, a celebração de uma cultura artística em que cada personagem se distingue por peculiaridades que tanto podem ser exuberantes como absolutamente misteriosas. Kate Hudson, Billy Crudup, Philip Seymour Hoffman e Frances McDormand (no papel da mãe de William) são alguns dos nomes do notável elenco.

O filme valeu a Crowe aquele que é, até agora, o seu único Óscar. Tinha já sido nomeado por “Jerry Maguire”, nas categorias de melhor argumento original e melhor filme; com “Quase Famosos”, reapareceu na lista de nomeações para argumento original — e ganhou, batendo, entre outros, David Franzoni, argumentista de “Gladiador” que, nesse ano, arrebatou o Óscar de melhor filme.

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