Cultura

Sessão de Cinema: “Suspiria”

Opinião

Dakota Johnson em "Suspiria" — um labirinto de forças ocultas

Com “Suspiria”, Luca Guadagnino, o cineasta de “Chama-me pelo Teu Nome”, assumiu o desafio de recriar um clássico do cinema de terror italiano.

Na tradição europeia do cinema de terror, “Suspiria” (1977), do italiano Dario Argento, é uma referência lendária, símbolo do chamado “giallo” — trata-se de um género, muito popular nos anos 70/80, em que o medo se encena através de histórias sobrenaturais, quase sempre explorando situações de grande perturbação emocional, encenadas com cores exuberantes. Em 2018, outro italiano, Luca Guadagnino, apostou em recriar o clássico de Argento. Opção algo surpreendente, sem dúvida, já que um ano antes Guadagnino tinha conseguido grande impacto com um objecto bem diferente: “Chama-me pelo Teu Nome”. O certo é que os resultados são tanto mais interessantes quanto não estamos perante uma mera imitação. Seja como for, o novo “Suspiria” preserva o ponto de partida do original: uma jovem americana chega a Berlim para frequentar uma companhia de dança… Aquilo que parecia ser o prólogo de uma estadia mais ou menos radiosa, vai-se transfigurando numa experiência inquietante, pontuada pela acção de forças que transcendem a razão humana (com a intensidade de um cinema claramente para audiências adultas). Com Dakota Johnson no papel central e Tilda Swinton a interpretar a directora da escola, “Suspiria” integra, num pequeno papel, Jessica Harper, a protagonista do filme de 1977. Elemento fundamental nas ambiências do filme é a sua música, assinada por Thom Yorke, certamente não por acaso fazendo lembrar algumas características da sonoridade da sua banda, Radiohead.

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