Cultura

Sessão de Cinema: “As Pessoas Normais Não Têm Nada de Especial”

Valeria Bruni Tedeschi: César de "melhor esperança feminina" em 1993

Foi o filme de estreia da cineasta francesa, de ascendência portuguesa, Laurence Ferreira Barbosa — valeu um César à actriz Valeria Bruni Tedeschi.

Laurence Ferreira Barbosa é uma cineasta francesa, de ascendência portuguesa, que se estreou na realização de longas metragens, em 1993, com “As Pessoas Normais Não Têm Nada de Especial”. O filme teve um significativo impacto internacional, tendo valido à sua protagonista, Valeria Bruni Tedeschi, um prémio especial no Festival de Locarno, ela que viria a receber também um César da produção francesa para “melhor esperança feminina”.

O título tem tanto de objectivo como de sarcástico. Isto porque as atribulações de Martine (Tedeschi) a vão lançar num turbilhão de acontecimentos — um misto de incidentes e actos deliberados vai levá-la ao hospital e, na sequência da observação do seu estado, a uma estadia numa instituição para pessoas com doenças mentais [video com um extracto do filme].

O filme está longe de envolver qualquer “tese” sobre as fronteiras da normalidade e da loucura. Aliás, o impacto emocional da história contada por Laurence Ferreira Barbosa decorre, antes de tudo o mais, das singularidades da existência de Martine. Em boa verdade, a sua experiência limite funciona como detonador de uma reflexão em que se cruzam a avaliação do passado e a possibilidade de delinear algum futuro.

Com concisão e ternura, “As Pessoas Normais Não Têm Nada de Especial” espelha modos de vida em que a solidão individual adquire, para o melhor e para o pior, um papel decisivo. Sem esquecer que, para isso, o filme conta com um elenco muito sólido: além Valeria Bruni Tedeschi, destacam-se Melvil Poupaud, Marc Citti e Sandrine Kiberlain.

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