Cultura

Sessão de Cinema: “Paris, Texas”

Opinião

Harry Dean Stanton nas paisagens de "Paris, Texas"

Título marcante na filmografia do alemão Wim Wenders, “Paris, Texas” venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1984.

Eis uma boa e sugestiva notícia: a realização do Festival de Cannes (74ª edição, 6-17 julho) fez com que a oferta do streaming recuperasse alguns títulos marcantes naquele que é o maior certame de cinema do mundo.

Vale a pena recordar, por exemplo, o clássico “Paris, Texas”, de Wim Wenders, vencedor da Palma de Ouro de 1984. A história de Travis, um homem que, depois de estar desaparecido durante vários anos, tenta reconstruir a sua vida, possui o fascínio primitivo de um melodrama familiar, ao mesmo tempo que reflecte um tempo social de frágeis relações humanas.

Wenders filma tudo isso como uma espécie de perdição das paisagens clássicas da América — aliás, vale a pena recordar que no seu próprio trabalho fotográfico ele produziu muitas imagens que fazem lembrar a iconografia de “Paris, Texas”. O filme possui o poder de encantamento de um drama que, por assim dizer, ficou suspenso no tempo, um pouco à maneira da inconfundível música original composta por Ry Cooder [tema-título aqui em baixo].

Isto sem esquecer, claro, o notável elenco liderado por Harry Dean Stanton e Nastassja Kinski. Dito de outro modo: na sua procura dos mistérios mais fundos dos comportamentos humanos, Wenders tem sido também um exemplar director de actores.

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