Cultura

Memórias de The Velvet Underground

Opinião

The Velvet Underground, agora evocados num documentário de Todd Haynes

O documentário de Todd Haynes sobre a banda de Lou Reed e John Cale ficará como um dos momentos altos da edição de 2021 do Festival de Cannes.

Entre os títulos apresentados na primeira metade do Festival de Cannes (a decorrer até dia 17), The Velvet Underground, de Todd Haynes, ficará, por certo, como uma das referências centrais de toda a selecção oficial. E nem mesmo o facto de ter sido exibido extra-competição lhe retira importância e simbolismo.

De que se trata? Pois bem, de evocar a lendária banda de Lou Reed & John Cale & Nico que, com o patrocínio artístico e comercial de Andy Warhol, marcou a segunda metade da década de 60 e os primeiros anos da década seguinte. Através das suas canções, rock’n’roll e música experimental, tradição e vanguarda, cruzaram-se numa aliança invulgar e fascinante.

Fascinante é também o trabalho de Haynes, revelador da vitalidade do género documental. Na verdade, não teremos visto muitas vezes uma tão admirável reunião de materiais de arquivo tratados com um rigor (e um amor) que transcende os próprios limites de qualquer género narrativo.

Dito de outro modo: “The Velvet Underground” constitui um extraordinário exemplo de um desejo documental que já trabalha para lá de todos os registos tradicionais. O que aqui encontramos é uma fusão exuberante da tradição cinematográfica com a informação televisiva e , por fim, com algumas componentes específicas das narrativas do mundo virtual.

Eis o registo da conferência de imprensa de Todd Haynes e da sua equipa, no dia 8 de julho, no Palácio do Festival, em Cannes.