Cultura

Sessão de Cinema: “Recordações de Hollywood”

Opinião

Este é o filme que resultou da adaptação de um livro semi-autobiográfico escrito por Carrie Fisher: um retrato íntimo dos contrastes e convulsões da grande máquina de Hollywood.

Filha de Eddie Fisher e Debbie Reynolds, duas personalidades lendárias de Hollywood, Carrie Fisher (1956-2016) entrou para a história mitológica do cinema como a Princesa Leia de “A Guerra das Estrelas” (1977). Na sua trajectória pessoal, as questões familiares cruzam-se com o trabalho na indústria cinematográfica, de tal modo que, em 1987, publicou “Postcards from the Edge”, livro semi-autobiográfico com tanto de dramático como de irónico.

Em 1990, ela própria assumiu a tarefa de escrever um argumento baseado no seu livro, acabando por dar origem a um filme com o mesmo título, dirigido por Mike Nichols — entre nós foi lançado como “Recordações de Hollywood”, podendo agora ser visto ou revisto em streaming.

Mais importante do que a maior ou menor “coincidência” do filme com a vida vivida por Fisher em Hollywood, é o facto de estarmos perante uma visão realmente interior da “fábrica de sonhos” da Califórnia. No centro dos acontecimentos está a relação plena de contrastes (da ternura e momentos de radical conflito) entre uma actriz que tenta recuperar da sua toxicodependência e a mãe, uma estrela do cinema clássico.

A realização de Nichols possui a precisão de quem conhece muito bem o universo que está a retratar, sabendo oscilar entre os sinais da euforia e da depressão, da compaixão e do sarcasmo. Sem esquecer, claro, que as duas personagens centrais são interpretadas pelas admiráveis Meryl Streep e Shirley MacLaine. O elenco é, aliás, uma parada de grandes nomes de Hollywood, incluindo Gene Hackman, Dennis Quaid, Richard Dreyfuss, Rob Reiner e Annette Bening.

Filmin

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