Cultura

Sessão de Cinema: "A Roda da Fortuna"

Opinião

Fred Astaire e Cyd Charisse: memórias da idade de ouro do musical de Hollywood

Nem sempre tão lembrado como outros títulos de Vincente Minnelli, “A Roda da Fortuna” viria a tornar-se um objecto de culto entre os musicais clássicos da Metro Goldwyn Mayer.

Quando evocamos a idade de ouro do musical de Hollywood, é inevitável que surjam referências lendárias como “Um Dia em Nova Iorque” (1949), da dupla Stanley Donen/Gene Kelly, “Um Americano em Paris” (1951), de Vincente Minnelli, e, claro, “Serenata à Chuva” (1952), de novo com assinatura Donen/Kelly. Muitas vezes deixamos de fora um título que merece ser colocado no mesmo plano: “A Roda da Fortuna” (1953), outra das proezas de realização de Minnelli.

Nele conhecemos a saga artística de Tony Hunter, veterano dos palcos e do cinema que parece ter chegado à via descendente da sua carreira… até que surge a oportunidade de um regresso, encenando em registo musical a lenda de Fausto. No papel de Hunter encontramos Fred Astaire, de algum maneira espelhando a sua própria condição de estrela deste género de filmes: afinal de contas, Astaire, na altura com 54 anos, tinha tido o seu período de maior fulgor ao longo das décadas de 30/40, em parceria com Ginger Rogers.

O certo é que Minnelli soube integrar a veterania do actor/bailarino, de tal modo que as suas cenas com Cyd Charisse em “A Roda da Fortuna” se contam entre as mais perfeitas de toda a história deste tipo de produções. Sem esquecer, claro, que estamos perante um sofisticado exemplo da verdadeira escola musical da Metro Goldwyn Mayer, dirigida por essa figura mítica que foi Arthur Freed.

Ironicamente, neste sector de produção, “A Roda da Fortuna” (título original: “The Band Wagon”) foi um dos títulos de menor impacto comercial da MGM. Esteve nos Óscares, com três nomeações — uma delas para a música de Adolph Deutsch —, mas não ganhou qualquer estatueta dourada. Com o passar das décadas, adquiriu estatuto de objecto de culto, sendo hoje em dia normalmente reconhecido como um dos momentos altos da história clássica do musical.

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