Cultura

Sessão de Cinema: "A Paixão de Joana d'Arc"

Opinião

Maria Falconetti: a sua Joana d'Arc é uma figura lendária do cinema mudo

É um dos grandes clássicos do período mudo: através do streaming podemos reencontrar a figura lendária de Joana d'Arc interpretada por uma actriz tão especial como Maria Falconetti.

Sejamos pragmáticos: ninguém nega a importância de conhecermos os filmes, em particular os grandes clássicos, num grande ecrã, valorizando todas as suas componentes visuais (e sonoras, se for caso disso). Mas, em anos recentes, importa não menosprezarmos o papel que as plataformas de streaming (umas mais, outras menos…) têm tido na redescoberta desses clássicos, para mais quase sempre em cópias restauradas.

Aqui está mais um belo exemplo: "A Paixão de Joana d'Arc" (1928), produção muda francesa com assinatura do dinamarquês Carl Th. Dreyer (1989-1968). Se é verdade que o cinema nos permitiu ter uma proximidade com os actores — e, em particular, com os seus rostos — que o teatro, em princípio, não contempla, então este é o filme de apoteose dos grandes planos. Por alguma razão a intérprete de Joana d'Arc, a francesa Maria Falconetti, apesar de ter tido uma carreira sobretudo teatral, é um daqueles nomes lendários citado em todas as histórias do cinema.

Estamos perante uma saga vivida em meados do século XV. Julgada e condenada por afirmar ter visões divinas, Joana d'Arc tornou-se uma daquelas figuras históricas cujo apelo mitológico persistiu para lá de todas as épocas. De tal modo que o cinema tem recriado regularmente a sua história — lembremos apenas o exemplo de "Santa Joana" (1957), com Jean Seberg, sob a direcção de Otto Preminger.

Dreyer viria a assinar títulos tão célebres como "Dia de Cólera" (1943) ou "A Palavra" (1955), clássicos que, para lá dos tempos e das modas, nos continuam a interpelar através das suas viagens pelas zonas mais secretas do comportamento humano. "A Paixão de Joana d'Arc" ficou como um desses momentos fundadores em que, ainda antes da eclosão do som, o cinema se afirmava como uma linguagem nova, de infinitas potencialidades expressivas.

Filmin

  • 2:29