Cultura

Morreu José-Augusto França, historiador, sociólogo e crítico de arte

Biblioteca Nacional de Portugal

Tinha 98 anos.

Morreu este sábado o historiador José-Augusto França. A notícia foi confirmada à SIC pela filha.

Morreu à hora de almoço na casa de saúde de Jarzé, perto da cidade francesa de Angers, onde estava internado há vários anos.

O historiador tinha sofrido um AVC, há cerca de três anos. Deverá ser cremado, ainda esta semana, em França.

Nascido em Tomar a 16 de novembro de 1922, doou o seu espólio ao museu da cidade.

Obra de José-Augusto França

Da sua extensa obra, destacam-se os estudos sobre a arte em Portugal nos séculos XIX e XX, as monografias sobre Amadeo de Souza-Cardoso e Almada Negreiros, além de outros volumes de ensaios de interpretação e reflexão histórica, sociológica e estética sobre questões da arte contemporânea.

Enquanto teórico e divulgador, participou entre 1947 e 1949 nas atividades do Grupo Surrealista de Lisboa, de que fizeram parte, entre outros, Mário Cesariny de Vasconcelos e Alexandre O'Neill, e foi, na década seguinte, um defensor da arte abstrata.

Foi condecorado diversas vezes, como Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (1991), a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (2006) e as medalhas de Honra da Cidade de Lisboa (1992) e de Mérito Cultural (2012).

Diplomado pela École d'Hautes Études de Paris e doutorado pela Sorbonne, foi professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa desde 1974, onde criou os primeiros mestrados de História da Arte do país, e jubilou-se em 1992, tendo recebido das mãos do então Presidente Mário Soares a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, no final da última aula que deu.

Também lecionou na Sociedade Nacional de Belas Artes, presidiu à Academia Nacional de Belas-Artes, foi diretor do Centro Cultural Calouste Gulbenkian, em Paris, membro do Comité Internacional de História da Arte e presidente de honra da Associação Internacional dos Críticos de Arte.