Cultura

Sessão de Cinema: “Prisão Maior”

opinião

Cartaz original de "Prisão Maior", um dos títulos do exílio europeu de Joseph Losey

Esta é uma boa oportunidade de descobrir o trabalho de Joseph Losey, cineasta nascido dos EUA que, por circunstâncias históricas, realizou uma parte significativa da sua obra na Europa.

Eis uma prática que se tornou corrente, a meu ver gerando mais e melhor diversidade para as escolhas de cada espectador: os filmes clássicos que alguns distribuidores independentes vão regularmente colocando nas salas (quase sempre em magníficas cópias restauradas) têm uma segunda vida comercial nas plataformas de streaming.

Assim acontece agora com alguns títulos de Joseph Losey (1909-1984), cineasta americano que saíu dos EUA na sequência das perseguições durante o chamado macartismo, tendo realizado uma parte significativa da sua obra no continente europeu, incluindo filmes tão admiráveis como “O Criado” (1963) ou “Mr. Klein” (1976).

O ciclo dedicado a Losey inicia-se com “Prisão Maior” (1960), um “thriller” brilhante que é também um dos seus filmes menos conhecidos. No original “The Criminal”, trata-se de um retrato cru e desencantado do submundo do crime e, em particular, da vida na prisão de um grupo de homens que estiveram envolvidos num assalto. Na altura do seu lançamento, justificou uma contundente frase publicitária no respectivo cartaz: “O filme mais duro já feito na Grã-Bretanha!”

Com Stanley Baker no papel central, “Prisão Maior” é, de facto, um objecto marcante de um período de grandes mudanças nos temas e linguagens da produção britânica — sem esquecer que tudo isso estava a acontecer em paralelo com o movimento das “novas vagas” em diversos países europeus, a começar, claro, pela França. Stanley Baker, actor muito popular na época, assume o papel central, ele que no ano seguinte integraria o elenco de uma grande aventura: “Os Canhões de Navarone”, de J. Lee Thompson.

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