Cultura

Sessão de Cinema: “As Mil Apoteoses de Ziegfled”

Opinião

Gene Kelly e Fred Astaire: celebrando a herança do empresário Florence Ziegfeld Jr.

Em 1946, o musical da Metro Goldwyn Mayer celebrou os espectáculos de Florenz Ziegfeld Jr., lendário empresário da Broadway.

Na história do musical americano, o nome do produtor Arthur Freed (1894-1973) é uma referência obrigatória: nas décadas de 1940/50, a sua gestão artística nos estúdios da MGM criou condições para a fabricação de alguns dos grandes clássicos do género, incluindo, por exemplo “Serenata à Chuva” (1952). Digamos que ele foi, em cinema, um sucedâneo de Florenz Ziegfeld Jr. (1867-1932), empresário que, nos palcos da Broadway, transfigurou o musical através de produções exuberantes e inovadoras, as chamadas “Ziegfeld Follies”.

Pois bem, “As Mil Apoteoses de Ziegfeld” é o título português de um filme de 1945, produzido por Freed, celebrando os espectáculos de Ziegfeld — o título original é também “Ziegfeld Follies”.

O filme teve uma gestação atribulada. Começou por ser dirigido por George Sidney que, a certa altura, abandonou o projecto. Seria substituído por Vincente Minnelli que, em qualquer caso, não dirigiu todas as cenas, já que houve mais três realizadores (Lemuel Ayres, Roy Del Ruth e Robert Lewis) a contribuir para a filmagem de alguns quadros musicais.

Poderá dizer-se que a unidade de estilo do filme se ressente de todas essas atribulações. O certo é que, nessa época gloriosa de Hollywood, raras vezes se viu uma tão impressionante conjugação de talentos. Assim, na ficha artística, encontramos, entre outros, os nomes de Fred Astaire, Lucille Ball, Judy Garland, Kathryn Grayson, Lena Horne, Esther Williams, Cyd Charisse… Que é como quem diz: uma impressionante reunião de figuras centrais na história do musical.

Também para a história, “As Mil Apoteoses de Ziegfeld” ficou como uma espécie de bilhete de identidade de um modelo de espectáculo que estava a viver a sua idade de ouro. Em 1947, o filme veio ao Festival de Cannes e arrebatou um prémio que há muito deixou de existir: “melhor comédia musical”.

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