Cultura

Sessão de Cinema: “Stavisky, o Grande Jogador”

Opinião

Jean-Paul Belmondo e Anny Duperey: memórias da França de 1920/30

Traçando um retrato da economia e da política francesas nas décadas de 1920/30, este é um dos filmes que Jean-Paul Belmondo protagonizou e produziu.

Na longa e multifacetada trajectória de Jean-Paul Belmondo (1933-2021), o filme “Stavisky, o Grande Jogador” não será dos mais frequentemente recordados. E, no entanto, é um título central na sua filmografia: primeiro, porque marca o seu encontro com um dos grandes realizadores da Nova Vaga francesa, Alain Resnais (1922-2014); depois, porque o projecto dependeu do seu próprio envolvimento financeiro, já que Belmondo, além de interpretar a figura central, surge também na ficha do filme como produtor.

Alexander Stavisky (1886-1934) foi um poderoso homem de negócios cuja actividade ficou envolvida em situações dúbias, mais ou menos escandalosas, com repercussões muito directas no meio político. As condições em que ocorreu a sua morte, aos 47 anos de idade, nunca foram devidamente esclarecidas.

Num registo dramático bem diferente dos seus primeiros filmes, nomeadamente “Hiroshima, Meu Amor” (1959) e “O Último Ano em Marienbad” (1961), Resnais continuou a ser um metódico observador das convulsões humanas e das suas ambíguas relações com o contexto histórico — subtil e requintado, “Stavisky, o Grande Jogador” tem tanto de retrato íntimo como de fresco histórico.

Com Anny Duperey no papel da mulher de Stavisky, o filme conta no seu elenco com alguns prestigiados veteranos da produção francesa, incluindo Charles Boyer e François Périer; num pequeno papel, encontramos um actor que atravessava o seu período de fulgurante ascensão: Gérard Depardieu.

Netflix