Cultura

Autor Salman Rushdie atacado numa conferência em Nova Iorque

Autor Salman Rushdie atacado numa conferência em Nova Iorque
Sean Zanni
O autor britânico está vivo e a "receber os cuidados que precisa", adianta a governadora de Nova Iorque.
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Salman Rushdie, o escritor britânico cujos livros levaram a ameaças de morte do Irão na década de 1980, foi atacado esta sexta-feira quando estava prestes a dar uma palestra na parte ocidental de Nova Iorque.

Um repórter da Associated Press viu um homem a correr para o palco da Instituição Chautauqua em direção ao autor de 75 anos. O agressor começou a bater e depois esfaqueou Rushdie no pescoço, no momento em que estava a ser apresentado. Para além disso, um apresentador também terá ficado ferido.

O atacante foi, entretanto, detido pela polícia que informou, no Twitter, que já abriu uma investigação ao incidente.

A governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, disse que Rushdie está vivo e a "receber os cuidados que necessita". O escritor foi levado por um helicóptero para um hospital, mas a polícia disse que o seu estado ainda não é conhecido.

A polícia ainda não avançou com um motivo para o ataque e ainda não se sabe qual foi a arma utilizada pelo agressor.

O livro polémico "The Satanic Verse" (Versículos Satânicos) foi banido do Irão em 1988, uma vez que muitos muçulmanos consideraram a obra uma blasfémia. Um ano depois, o líder iraniano da altura, Ayatollah Ruhollah Khomeini, emitiu uma 'fatwa' (decreto da lei islâmica) contra o escritor, galardoado com o prémio Booker.

O comentador da SIC, Daniel Pinéu considera que, o escritor Rushdie começou a aparecer cada vez mais em público, por já não haver esse nível de violência como nos anos 80 e 90. É provável que o ataque possa estar relacionado com a obra polémica do escritor, defende o comentador da SIC.

No próximo mês estava previsto que o escritor viesse a Portugal. Salman Rushdie ia estar no dia 17 na Livraria Lello, no Porto, para uma conversa com a jornalista, escritora e crítica literária Isabel Lucas. O tema dessa conversa seria a sua notável carreira literária.

O escritor com origem muçulmana indiana chegou a viver na clandestinidade, sob segurança. Foi, aliás, oferecida uma recompensa de mais de três milhões de dólares a qualquer pessoa que executasse o autor de ficção.

Apesar de o Governo iraniano se ter distanciado do decreto do antigo líder, o sentimento anti-Rushdie persistiu ao longo dos anos.

Em 2012, uma fundação religiosa semi-oficial iraniana aumentou a recompensa por Rushdie para 3,3 milhões de dólares.

Rushdie desvalorizou a ameaça na altura, dizendo que não havia "nenhuma prova" de que as pessoas estivessem interessadas na recompensa.

Nesse ano, o escritor publicou o livro de memórias "Joseph Anton - Uma Memória", sobre a 'fatwa'.

Autor de cerca de duas dezenas de títulos, Rushdie recebeu o prémio Booker em 1981 por "Os Filhos da Meia-Noite", também distinguido com o Booker of Bookers, em 1993, e, em 2008, o Best of the Booker.

"O Último Suspiro do Mouro" valeu-lhe o prémio Withbread, em 1995, e o Prémio Literatura da União Europeia, em 1996.

Salman Rushdie é publicado em Portugal pela Dom Quixote.

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