Cultura

“E.T.” num cinema perto de si?

“E.T.” num cinema perto de si?
Drew Barrymore a viver uma bela história de amizade
Seria óptimo podermos ver o clássico de Steven Spielberg num ecrã IMAX… Sim, mas só se for numa sala dos EUA.

De repente, é possível voltar a ver o clássico de Steven Spielberg, “E.T., o Extra-Terrestre” (1982) numa sala de cinema. Como? Importa-se de repetir…

Enfim, deixemos a ironia e registemos os dados objectivos. É verdade: “E.T.” pode ser visto ou revisto nos circuitos clássicos de exibição dos EUA — incluindo algumas salas IMAX (veja-se o novo trailer). O pretexto é, obviamente, o 40º aniversário do filme, lançado no verão de 1982 nas salas americanas, poucas semanas depois do seu espectacular impacto no Festival de Cannes (onde foi exibido extra-competição).

Daí a pergunta que se justifica: porque não está a acontecer o mesmo nas salas portuguesas? Enfim, conhecemos uma resposta antecipada, também ela linearmente objectiva: não são os distribuidores portugueses que definem as políticas de difusão dos grandes estúdios americanos (neste caso, a Universal Pictures). Ao que devemos acrescentar que esta nem sequer é uma questão especificamente portuguesa: a reposição é exclusivamente americana e, convenhamos, nem sequer se trata de um espectacular (re)lançamento, já que “E.T.” surgiu em apenas 389 salas (actualmente, as grandes estreias, convém lembrar, ocupam mais de 4000 ecrãs).

O que está em causa é de outra natureza. A saber: a falta de opções (e também de alguma ousadia criativa, digo eu) das forças mais poderosas do mercado cinematográfico internacional no sentido de investir na diversificação da sua oferta — e, muito em particular, na rentabilização regular dos grandes clássicos que, tal como acontece com “E.T.”, são referências universais, cruzando todas as gerações de espectadores.

Bem sabemos que há as alternativas do “streaming”. E também, apesar do cepticismo de muitos, do mercado do DVD (a edição Blu-ray de “E.T.” é notável)… Resta acrescentar que não faz sentido alimentar uma visão apocalíptica do mercado das salas, arriscando pouco, ou nada, na sua revitalização. Pela minha parte, devo dizer que adorava poder ver “E.T.” num ecrã IMAX — atrevo-me a pensar que não estou só.

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