Cultura

Sessão de Cinema: "Paris 13"

Sessão de Cinema: "Paris 13"
Noémie Merlant e Makita Samba filmados por Jacques Audiard: personsagens e histórias de Paris
O cineasta francês Jacques Audiard retrata a vida de uma grande zona habitacional de Paris — entre drama e melodrama.

Em 2021, seis depois de ter ganho a Palma de Ouro de Cannes com “Dheepan”, o francês Jacques Audiard voltou ao festival da Côte d’Azur com “Les Olympiades”. Não um filme sobre os Jogos Olímpicos, entenda-se, mas sim sobre uma grande zona habitacional de Paris conhecida, precisamente, como “Les Olympiades” e que corresponde ao “13e arrondissement” da cidade — lançado entre nós com o título “Paris 13”, está agora disponível em streaming.

Estranhamente, entre os filmes de Audiard, este é um dos que teve mais dificuldade em encontrar o seu público, porventura devido à austeridade das suas imagens a preto e branco, bem diferente dos dramas em tons fortes que pontuam a sua filmografia — lembremos apenas o caso emblemático de “De Tanto Bater o Meu Coração Parou” (2005).

Em boa verdade, “Paris 13” não é estranho ao interesse de Audiard pela complexidade das relações humanas. Em alguns casos, é também verdade, ele trabalhou a partir de modelos do policial e do “thriller”. Nessa perspectiva, este é um trabalho diferente, já que se trata de dar conta das ligações, cumplicidades e pequenas traições de uma galeria de personagens em permanente ziguezague emocional — entre os sobressaltos das suas vidas amorosas e os prós e contas das suas actividades profissionais.

Audiard consegue, assim, relançar uma certa tradição (melo)dramática francesa, fazendo valer um trunfo essencial: a qualidade de um elenco de múltiplos talentos, nem sempre conhecidos do grande público. Entre os brilhantes intérpretes de “Pris 13”, encontramos Noémie Merlant, Jehnny Beth, Geneviève Doang, Makita Samba e Lucie Zhang — os dois últimos foram nomeados para os Césares de melhor revelação de 2021.

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