Cultura

Sessão de Cinema: “Terramoto”

"Terramoto" (1974) foi um caso de sucesso do chamado "filme-catástrofe"
"Terramoto" (1974) foi um caso de sucesso do chamado "filme-catástrofe"
"Terramoto" (1974) foi um caso de sucesso do chamado "filme-catástrofe"
A concorrência cinema/televisão começou há muitas décadas: “Terramoto” é um exemplo esclarecedor do que estava a acontecer há quase 50 anos.

Convém começar por dizer que “Terramoto” não é um grande filme — longe disso. Há nele uma evidente competência industrial que, seja como for, não basta para lhe conferir o estatuto de um verdadeiro clássico. O certo é que a história do cinema não se faz apenas de obras-primas — também muito longe disso. Por isso mesmo, ir conhecendo essa história é também manter alguma curiosidade pelas suas diferenças e contrastes.

Acontece que “Terramoto” (título original: “Earthquake”) foi, de facto, um objecto marcante no interior de uma estratégia de recuperação de espectadores para as salas escuras — o problema, como se vê, está longe de ser uma questão deste nosso séc. XXI…

Foi há quase meio século. Estava-se em 1974 e a crescente concorrência da televisão traduzia-se numa baixa significativa da frequência das salas. No caso de Hollywood, um dos estratagemas da indústria para contrariar essa perda foi a “invenção” de um novo modelo de grande produção. A saber: o “filme-catástrofe”. E é um facto que, nesse mesmo ano, dois dos maiores sucessos de bilheteira foram variantes de tal modelo: “A Torre do Inferno” e, precisamente, “Terramoto”.

Como é fácil perceber, trata-se de associar o conceito de espectáculo à inquietação física e dramática de uma catástrofe. “Terramoto” encena, assim, um violento abalo telúrico na região de Los Angeles, contando com um argumento convencional, algo previsível, embora hábil e contrastado, através do qual vamos acompanhando o modo como personagens de diversas condições sociais e profissionais enfrentam os acontecimentos.

Curiosamente, na altura do seu lançamento, o principal trunfo promocional de “Terramoto” foi, não a imagem, mas o som: um novo sistema de ampliação e envolvimento sonoro (“Sensurround”) foi mesmo criado para a exibição do filme em determinadas salas — entre nós, por exemplo, foram instaladas colunas especiais no Tivoli (Lisboa).

Realizado por Mark Robson, especialista em diversos géneros, com provas dadas ao longo das décadas de 1940/50, “Terramoto” apresenta ainda a curiosidade de ser uma aposta em cujo elenco predominam, não novas estrelas, mas nomes veteranos de Hollywood. Assim, encontramos Charlton Heston e Ava Gardner entre os protagonistas, a par de Lloyd Nelson, Walter Matthau e até mesmo Lorne Greene, popularizado pela série televisiva “Bonanza” (1959-1973). Entre as figuras emergentes surgem Geneviève Bujold e Victoria Principal (que, poucos anos mais tarde, seria uma das intérpretes principais da série “Dallas”).

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