Cultura

À procura do cinema europeu

À procura do cinema europeu
"Close", filme belga que está na corrida para os Prémios do Cinema Europeu

Em dezembro irá realizar-se a 35ª edição dos Prémios do Cinema Europeu — que filmes e que estratégias promocionais podemos esperar?

Como bem sabemos, o cinema que se faz na Europa carece de estratégias fortes de promoção. Os filmes podem ser “melhores” ou “piores”, como, aliás, os produtos de qualquer cinematografia nacional ou continental — não é isso que está em causa, até porque, felizmente, não pensamos todos do mesmo modo e, por isso mesmo, formulamos diferentes juízos de valor. O que está em causa é que o problema não se resolve com acusações demagógicas (procurando identificar “culpados” e ignorando a complexidade das conjunturas comerciais e culturais) nem com campanhas ingénuas e paternalistas (promovendo um determinado cinema, seja ele qual for, apenas porque é “nosso”).

Fiquemo-nos, por isso, pelo calendário, lembrando que faltam cerca de três meses para a cerimónia dos 35ºs Prémios do Cinema Europeu, a realizar no dia 10 de dezembro, em Reykjavyk, capital da Islândia. A Academia de Cinema Europeu não terá nem os meios promocionais, nem a sofisticação de marketing da entidade que atribui os Óscares de Hollywood (Academia de Artes e Ciências Cinematográficas), mas é um facto que continua a desenvolver um trabalho metódico de divulgação dos filmes que se vão fazendo com investimentos europeus.

Pois bem, a Academia de Cinema Europeu já divulgou a lista de 30 títulos que irão concorrer para os seus prémios, incluindo, claro, o de Filme Europeu de 2022 (são consideradas as obras cuja primeira projecção oficial tenha ocorrido entre 1 de junho de 2021 e 31 de maio de 2022). Dessa lista surgirão as nomeações, a serem votados pelos 4.400 membros da Academia.

Encontramos dois filmes com componentes portuguesas: “Fogo-Fátuo”, de João Pedro Rodrigues (a apresentar na abertura do Queer Lisboa, a 16 de setembro, com estreia nas salas no dia 29 do mesmo mês), e “Pacifiction”, do espanhol Albert Serra (com uma empresa portuguesa, Rosa Filmes, como coprodutora).

E encontramos também alguns dos títulos que se desatacaram nos principais festivais europeus, em particular em Cannes. Assim, por exemplo, integram a lista o vencedor da Palma de Ouro, “Triangle of Sadness”, do sueco Ruben Östlund, “Close”, do belga Lukas Dhont, “Nostalgia”, do italiano Mario Martone e “EO”, do polaco Jerzy Skolimowski (cujo trailer se pode ver aqui em baixo).

O mínimo que se pode esperar (ou desejar…) é que estes filmes venham a ter a divulgação que merecem. Que é como quem diz: os mercados nacionais europeus podem (e, a meu ver, devem) trabalhar para que a variedade da produção do seu próprio continente não seja uma curiosidade de festivais ou cinematecas, mas um um dado constante, devidamente sustentado, da relação desses mesmos mercados com os espectadores/consumidores que somos todos nós.

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