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Três décadas depois, todos falam sobre a Pequena Sereia: porquê?

Três décadas depois, todos falam sobre a Pequena Sereia: porquê?
Youtube - Walt Disney Studios
A Disney divulgou o vídeo promocional do novo filme da Pequena Sereia e rapidamente se tornou um fenómeno nas redes sociais.

O vídeo promocional da nova versão da Pequena Sereia, divulgado este sábado pela Disney, tornou-se rapidamente uma sensação nas redes sociais. O primeiro filme que conta a história de amor da princesa Ariel estreou em 1989 e, mais de três décadas depois, o novo projeto cinematográfico está envolto em polémica. Porquê? Porque a atriz que interpreta a protagonista, Halle Bailey, é afro-americana.

São vários os vídeos que têm sido partilhados na plataforma Tik Tok mostrando a reação das crianças afro-americanas ao perceberem que a Pequena Sereia tem o mesmo tom de pele que elas. Num desses vídeos, a menina pergunta à mãe, incrédula, se a Ariel é mesmo afro-americana.

“Percebam como é para as nossas crianças verem-se a elas próprias nos contos de fadas que o mundo diz não serem feitos para elas. Digam o que quiserem e queixem-se à vontade, eu não ouço nada a não ser a alegria e excitação desta menina ao ver que uma pessoa que a represente”, escreve uma utilizadora da plataforma.

Entre espanto e alegria, as reações dividem-se. Uma criança de três anos diz, ao ver Halle Bailey surgir no ecrã, que a nova versão da Ariel “é bonita”.

Há também uma criança que fica sem palavras ao se ver representada nesta tradicional história da Disney, mostrando-se expectante para poder ver o filme.

Mas nem toda a gente está feliz com a escolha da Halle Bailey para o papel de Ariel. Uma publicação de Twitter mostra que o vídeo promocional, partilhado no canal oficial da Disney no Youtube, ultrapassou os mil “não gosto”, tendo apenas 360 mil “gosto”. Vários comentários e publicações negativos têm sido partilhadas com a hashtag #notmyariel (não a minha Ariel, em português).

A escolha de Halle Bailey para o papel da versão live-action – com atores reais e não desenhos animados – da Pequena Sereia tem gerado polémica precisamente pela escolha da atriz. Depois do anúncio, feito em 2019, as redes sociais dividiram-se entre os que apoiam a atriz e os que afirmam que a Pequena Sereia deveria ser igual ao filme original, ou seja, de pele branca e cabelo ruivo.

Para Rob Marshal, o diretor do projeto cinematográfico, “é absolutamente claro que Halle possui uma combinação rara de espírito, coração, juventude, inocência e substância – além de uma gloriosa voz para cantar – tudo qualidades intrínsecas necessárias para representar este icónico papel”.

Também Jodi Benson, a atriz e cantora que deu voz a Ariel na versão original da Pequena Sereia, elogiou a atuação da atriz, numa publicação de Instagram. Benson tinha também afirmado, anteriormente, que “a parte mais importante de um filme é poder contar uma história”.

“Nós temos de ser contadores de histórias e não interessa como é que nós somos por fora. Não interessa a raça, a nação, a cor da nossa pele, o nosso dialeto, se sou altos ou baixos se tenho excesso de peso ou peso a menos ou se o meu cabelo é de qualquer cor, nós temos mesmo de contar a história. É isso que nós queremos fazer, queremos fazer uma ligação com o público.”

Halle Bailey chegou a reagir à polémica que se gerou, afirmando que “este papel era algo maior” do que ela.

“Eu sinto que estou a sonhar e estou simplesmente agradecida e não posso prestar atenção à negatividade. Irá ser bonito e eu estou só feliz por fazer parte”, acrescentou a atriz.

O filme, que começou a ser produzido em 2020, deverá estrear nos cinemas em maio de 2023. Este é mais um dos projetos de live-action da Disney: depois do Rei Leão, da Bela e do Monstro, da Mulan e do Pinóquio, a Pequena Sereia promete trazer as músicas tão conhecidas da versão original, assim como novos canções.

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