Cultura

Portugal corre o risco de ter de devolver fundos europeus por causa de um atraso

Portugal corre o risco de ter de devolver fundos europeus por causa de um atraso
Bruno PEROUSSE
Em causa estão quase dois milhões de euros em fundos europeus.

O diretor-geral do Património Cultural alertou no Parlamento que os atrasos nas obras de restauro e valorização da Sé de Lisboa podem significar a devolução de 1,936 milhões de euros de fundos comunitários.

João Carlos Santos salientou que "as revisões dos projetos [se] pagam", depois de questionado por diversas vezes sobre a possibilidade de se fazerem novas alterações.

"Já vamos na segunda revisão ao projeto e eu gostava de dizer que esta empreitada, que foi adjudicada por 3.873.803 euros, tem um financiamento do Portugal 2020 [...], mas nós temos um atraso significativo na conclusão das obras e, portanto, isto para os fundos comunitários é muito difícil de explicar e corremos o sério risco de ter de devolver 1,936 milhões de euros", afirmou o responsável.

De acordo com João Carlos Santos, "só as alterações de reequilíbrio financeiro da obra (ou seja, atraso na obra, pagamento de trabalhos a mais, arqueologia a mais, etc.) já [vão] em 2,2 milhões de euros que [se teve] de negociar com o empreiteiro para o manter na obra", tendo este último movido uma ação em tribunal.

“Não podemos andar constantemente a fazer mais alterações, quando temos a convicção que esta última alteração protege integralmente o património que queremos salvaguardar”.

Os deputados da comissão parlamentar de Cultura vão, no dia 20 de outubro, fazer uma visita de trabalho às obras da Sé de Lisboa.

As obras na Sé de Lisboa começaram nos anos 80

As obras no claustro da Sé de Lisboa iniciaram-se na década de 1980, com as primeiras escavações, e uma das dificuldades foi a descoberta de sucessivas camadas arqueológicas que a análise estratigráfica não previra, o que levou a interrupções, ao longo dos anos, e à elaboração de diferentes projetos de requalificação do local.

O diretor-geral do Património Cultural, em conferência de imprensa, a 29 de novembro do ano passado, afirmou que a segunda revisão do projeto tinha conseguido conciliar "o melhor de dois mundos", permitindo "mostrar mais um terço do que estava previsto, dos vestígios arqueológicos", e ao tornar "o problema" da proposta inicial, "uma solução".

As escavações efetuadas revelaram estruturas romanas, islâmicas e cristãs medievais, posteriores à conquista da cidade, em 1147, nomeadamente vestígios de arruamentos, tanques, assim como uma mesquita aljama e um muro com 'graffitis' islâmicos medievais.

Últimas Notícias