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Sessão de Cinema: “Capote”

Opinião

Sessão de Cinema: “Capote”

Eis um retrato invulgar do escritor Truman Capote: valeu a Philip Seymour Hoffman o Óscar de melhor actor referente à produção de 2005.

Da riquíssima herança literária de Truman Capote (1924-1984), emerge o livro “A Sangue Frio”, publicado em 1966, no qual o autor dá conta da sua investigação do assassinato de uma família numa cidadezinha do Texas, em 1959. De facto, “A Sangue Frio” entrou na história como modelo do chamado “romance de não-ficção” — o seu impacto seria, aliás, reforçado pela notável versão cinematográfica lançada em 1967, com realização de Richard Brooks.

Ora, acontece que aquele trabalho de investigação está exemplarmente retratado num pequeno grande filme: chama-se “Capote” e valeu a Philip Seymour Hoffman (1967-2014) o Óscar de melhor actor referente ao ano de produção de 2005. Hoffman é, de facto, prodigioso na composição da figura, ao mesmo tempo comunicativa e indecifrável, de Truman Capote e, em particular, à sua obsessão de escritor — como dar conta do facto de dois homens “banais” tentarem assaltar uma casa de família, acabando por matar todos os membros de uma família?

Realizado por Bennett Miller, com argumento de Dan Futterman, “Capote” acaba por cruzar duas dimensões narrativas, igualmente complexas e fascinantes. Assim, numa primeira instância, podemos defini-lo como uma crónica detalhada sobre a odisseia de um escritor cujo desejo de escrever romances integra o rigor da mais depurada investigação jornalística. Ao mesmo tempo, “Capote” propõe um mergulho numa América “interior”, aparentemente rotineira, mas de facto assombrada por formas inquietantes de violência.

Vale a pena lembrar que Bennett Miller tem sido um cineasta de um escasso número de filmes mas, realmente, empenhado em elaborar visões originais de universos poucas vezes retratados (pelo menos, em cinema). Assim aconteceu com “Moneyball - Jogada de Risco” (2011), sobre os bastidores do baseball, e “Foxcatcher” (2014), acompanhando as atribulações de uma equipa de luta livre nos Jogos Olímpicos de 1988 — em ambos os casos inspirando-se em personagens verídicas. Curiosamente, segundo as últimas notícias, Miller prepara uma nova versão de “A Christmas Carol”, de Charles Dickens.

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