Cultura

Sessão de Cinema: “Os Verdes Anos”

Isabel Ruth e Rui Gomes: 1963, crónica de uma Lisboa em transformação
Isabel Ruth e Rui Gomes: 1963, crónica de uma Lisboa em transformação

Falecido há dias, António da Cunha Telles teve um papel importantíssimo no nascimento do Cinema Novo português — este foi um dos filmes que produziu.

Com a morte de António da Cunha Telles (no dia 23 de novembro, contava 87 anos), desapareceu uma personalidade central na dinâmica do moderno cinema português e, mais concretamente, na eclosão do chamado Cinema Novo. Um título pioneiro e emblemático desse movimento — “Os Verdes Anos” (1963), de Paulo Rocha — pode ser visto ou revisto graças ao streaming, para mais numa cópia restaurada de excelente qualidade.

“Os Verdes Anos” foi, justamente, um filme fundamental na afirmação de Cunha Telles como produtor, tendo-se seguido outras obras igualmente marcantes, incluindo “Belarmino” (1964), de Fernando Lopes, e “Domingo à Tarde” (1966), de António de Macedo. Isto sem esquecer que Cunha Telles viria a conquistar um lugar igualmente decisivo nessa conjuntura do cinema português através de “O Cerco” (1970), com a revelação fulgurante de Maria Cabral.

Em “Os Verdes Anos”, Rocha propõe uma visão, de uma só vez poética e trágica, da relação de duas personagens das “margens” dos cenários de poder da sociedade: um jovem que chega a Lisboa para tentar a sua sorte como sapateiro e uma empregada doméstica. Do seu encontro acidental, vai nascer uma aventura romântica inseparável do reconhecimento de um momento muito particular da vida de Lisboa — esta é, afinal, uma crónica sobre as “Avenidas Novas”, num momento (há 60 anos…) em que as avenidas de Roma e dos EUA definiam uma espécie de fronteira urbana da própria cidade.

Nos papéis principais, Rui Gomes e Isabel Ruth assumem um par lendário do cinema português, acabando por poder simbolizar um peculiar momento de transformações da sociedade portuguesa, a par de mudanças artísticas radicais através da criatividade dos jovens realizadores portugueses — em termos simples, “Os Verdes Anos” é um dos mais puros clássicos do nosso cinema. Ponto importante: nele nasceu também um clássico da música do nosso país, ou seja, a banda sonora composta e interpretada por Carlos Paredes.

Filmin

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