Cultura

O Mundial de Futebol no cinema?

Fotograma do filme oficial do Mundial de 1966: a Rainha Isabel II e Bobby Moore, capitão inglês
Fotograma do filme oficial do Mundial de 1966: a Rainha Isabel II e Bobby Moore, capitão inglês

Tempos houve em que a percepção social do futebol passava ainda pelas salas de cinema — o Mundial de 1966 pode ser um esclarecedor exemplo.

São onze de cada lado e no fim ganha a Alemanha? O Mundial de Futebol de 2022 já demonstrou que a tradição já não é o que era… Mas face a algumas memórias do futebol e das suas imagens não podemos deixar de perguntar: qual tradição?

Disputado em Inglaterra, o Mundial de 1966 — em que a selecção portuguesa conseguiu a sua melhor performance de sempre: 3º lugar — pode ser uma referência esclarecedora. No dia 30 de julho, numa final de invulgar dramatismo, os ingleses venceram os alemães por 4-2, depois de um empate a duas bolas no tempo regulamentar. O terceiro golo inglês, marcado por Geoff Hurst aos 101 minutos, ficou para a história como um “fantasma” da história dos mundiais e, em boa verdade, de todo o futebol. Isto porque, depois de bater na barra da baliza de Hans Tilkowski, a bola ressaltou para a linha de golo… deixando uma incógnita: ultrapassou ou não essa linha? O certo é que, depois de consultar o fiscal de linha, o árbitro validou o golo — recorde-se, aqui em baixo, a final nas actualidades da British Pathé.

Como é óbvio, há 56 anos não havia, nem de longe nem de perto, a tecnologia que hoje existe, permitindo, em particular, confirmar se uma bola transpõe realmente a linha de golo. Mais esquecido é o facto de, em 1966, a percepção social do futebol, indissociável da sua dimensão espectacular, ter passado também pelo cinema. Porquê? Porque a FIFA produziu o seu próprio documentário sobre o Mundial. Assinado por uma dupla de realizadores, Ross Devenish/Abidin Dino, chamou-se “Goal! The World Cup”, tendo chegado às salas de cinema de alguns países ainda em 1966 — entre nós, a estreia ocorreu a 31 de março de 1967, com o título “Mundial de Futebol - 66”.

Vale a pena revisitar esse filme, até porque o podemos ver, sem custos, no site oficial da FIFA. É um documento fascinante — pelos golos, pelas emoções, pelas ambiências de 1966, sem dúvida; mas também pela redescoberta de uma conjuntura em que o cinema detinha ainda esse poder — informativo e simbólico — de pontuar as relações do público com as mais diversas formas de espectáculo, incluindo o futebol.

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