Cultura

Jeff Bridges, uma lenda discreta

Memórias de 1971: Jeff Bridges e Cybill Shepherd em "A Última Sessão"
Memórias de 1971: Jeff Bridges e Cybill Shepherd em "A Última Sessão"

Um associação de críticos dos EUA e Canadá vai homenagear o veterano Jeff Bridges, actor de talento multifacetado.

Neste final do ano cinematográfico, com a avalanche de prémios que está a chegar — a desembocar nos incontornáveis Óscares (12 de março de 2023) —, corremos o risco de não dar a devida atenção a certas distinções que envolvem, no mínimo, algum importante significado simbólico. Vale a pena, desde já, referir uma delas: Jeff Bridges (73 anos, celebrados a 4 de dezembro) vai ser homenageado nos Critics’ Choice Movie Awards com um Prémio de Carreira.

A cerimónia, marcada para 15 de janeiro, terá lugar em Los Angeles no hotel Fairmont Century Plaza. Será a 28ª edição destes prémios que, realmente, representam um sector significativo do jornalismo cinematográfico que está para lá da imprensa clássica: fundada em 1995, a CCA (Critics Choice Association) reune cerca de 450 profissionais dos EUA e Canadá que trabalham em televisão, rádio e internet. Na cerimónia realizada este ano, o Prémio de Carreira foi para Billy Crystall.

Interessante na escolha de Jeff Bridges é o facto de a CCA distinguir, assim, alguém que, apesar da sua popularidade, nunca “encaixou” nos modelos tradicionais de “star”. É verdade que, pelo menos desde “A Última Sessão” (1971), o belíssimo drama realizado por Peter Bogdanovich sobre a geração dos jovens que foram combater na guerra da Coreia, ele se impôs como modelo de talento e versatilidade. Mas não é menos verdade que, com maior ou menor felicidade, Bridges sempre fez escolhas que não o reduziram a um estereótipo.

E podemos pensar em títulos como “Cidade Viscosa” (1972), o filme sobre o boxe assinado por John Huston, “A Última Golpada” (1974), um muito esquecido policial de Michael Cimino em que contracenava com Clint Eastwood, “Tron” (1982), fábula futurista de Steven Lisberger, “Tucker” (1988), com Francis Ford Coppola a revisitar uma figura mítica da indústria automóvel, ou “O Grand Lebowski” (1998), insólito cruzamento de policial e comédia criado pelos irmãos Coen, por certo um dos seus títulos mais populares. O que marca esses filmes é o sentido de risco de um actor capaz de interpretações realmente inesperadas: com elas foi consolidando uma imagem tão lendária quanto discreta.

Já foi nomeado sete vezes para Óscares de interpretação, a primeira como secundário em “A Última Sessão”, a mais recente, na mesma categoria, com “Hell or High Water - Custe o que Custar” (2016), de David Mackenzie. Ganhou uma estatueta dourada, como actor principal, com “Crazy Heart” (2009), de Scott Cooper, além do mais dando provas dos seus dotes de cantor, interpretando uma velha figura do universo da música “country”: veja-se um clip aqui em baixo, na companhia de Colin Farrell. “Crazy Heart” é um belo filme, subtil e intimista, que vale a pena descobrir (esta disponível na Disney+). E é também um caso infelizmente exemplar dos contrastes do mercado português: apesar do Óscar de Jeff Bridges, nunca foi estreado nas salas do nosso país.

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